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| Mosquito da dengue em ação |
Estamos em plena epidemia de dengue na cidade, com 800 casos registrados numa população de aproximadamente 110 mil pessoas, e uma quantidade enorme de ainda não confirmados, que provavelmente nos lançarão ao patamar de 2 mil casos desde o início do ano. Do ponto de vista das estatísticas já é uma coisa séria, mas quando a gente pensa no sofrimento humano, a coisa fica mais complicada ainda. A dengue tem se apresentado de forma mais agressiva, e a recuperação do processo é lenta. O período em que a doença está agindo sobre o corpo é de um sofrimento muito grande.
A prefeitura agora deu ordem para que os agentes entrem nas casas fechadas ainda que na marra. As equipes vão a casas que estão fechadas a mais de três meses, sendo alugadas, e ainda dão a última chance de a imobiliária abrir o cadeado e a porta. Caso isso não ocorra, é chamado um chaveiro e a vistoria é feita da mesma forma, com a conta das despesas sendo incorporada ao munícipe proprietário, que já foi informado há algum tempo da necessidade do cuidado e não tomou conhecimento. A multa, no caso, é de R$ 2.000,00. E o que tem de casa repleta de mosquito da dengue é muito grande.
Louvável atitude essa de entrar de qualquer jeito na casa, frente ao tamanho da epidemia, mas o fato é que medidas preventivas poderiam ter sido tomadas a mais tempo. Agora, é ter energia suficiente para enfrentar o combate e o descaso de alguns proprietários. Como disse no início da matéria, aqui no bairro onde moro - Pedregulho - as equipes de desdobraram para pulverizar todas as casas e vistoriar os possíveis focos de Aedes, mas ainda assim vimos uma vizinha impedir a entrada dos agentes durante duas horas, o que causou revolta por parte de todos os demais, tendo em conta que de nada adiante resolver o problema em dez casas se uma permanece intocada, e com condições de proliferação do mosquito. Ao final, depois de muita discussão e ameaças de multa e denúncia, a dona da casa abriu e em dez minutos a coisa estava resolvida. Essas resistências sempre me lembram a "Revolta da Vacina", episódio marcante da história do Brasil que deveria ser lembrada sempre, para evitar comportamentos obtusos como o dessa senhora. Essa "revolta" ocorreu no início do Século XX, no Rio de Janeiro, quando o então presidente Rodrigues Alves (casualmente nascido em Guaratinguetá) deu pleno poderes ao prefeito Pereira Passos e ao médico. Dr. Oswaldo Cruz, para executar um grande projeto sanitário que freasse o avanço de doenças diversas por falta de saneamento básico e infraestrutura sanitária na cidade. O prefeito botou em ação a operação que ficou conhecida como "bota abaixo", em razão da demolição de velhos prédios e cortiços e Oswaldo Cruz criou as "Brigadas Mata Mosquito" , que invadiam as casas para fazer o serviço de desinfecção e extermínio dos mosquitos transmissores da febre amarela, uma das epidemias da época. Também tratou de liquidar com os ratos da cidade, considerados os principais transmissores da febre bubônica, que ceifava vidas em quantidade. E isso foi só o começo.
Oswaldo Cruz conseguiu aprovar um projeto que criava a vacinação obrigatória contra a varíola, e isso desencadeou uma revolta popular que adquiriu proporções enormes, porque as brigadas populares podiam então entrar à força nas residências e vacinar todos que ali estivessem. O resto é história. O episódio foi dramático e emblemático de quanto a ignorância pode ser limitante para a aplicação de medidas profiláticas. Ainda bem que o que vimos aqui foi uma coisa totalmente inversa: a população se revoltou contra aquele que queria coibir o uso das medidas saneadoras, sem qualquer motivo. Já é um enorme avanço.










