É muito comum, para os que vivem no interior, ter uma casa de campo ou praia quando isso é possível. Manter um local para onde se pode escapar nos finais de semana ou nas férias, garantindo o conforto de casa em uma região de veraneio pode ser muito agradável. Aqui no Vale do Paraíba, grande parte das pessoas que podem manter esse padrão escolhem o chamado "Litoral Norte", com praias sensacionais como as de Ubatuba e Caraguatatuba, ou mesmo os prazeres proporcionados por Ilhabela, que dispensa apresentações.
No entanto, coisas estranhas estão acontecendo por lá. No período do verão, férias escolares, alta concentração de pessoas de variado poder aquisitivo, as coisas ficam meio complicadas em termos de segurança. Observo, ao longo do tempo, que medidas cada vez mais concretas estão sendo tomadas, mas nunca é possível evitar as consequências naturais dessa época, com muita bebida, gente ansiosa por se divertir e os oportunistas de plantão que estão sempre presentes nessas ocasiões. Fatos normais, que vão sendo resolvidos. O que chamou a atenção nesse janeiro foi a ocorrência de um ato de pirataria na aprazível Paraty, já do lado do Rio de Janeiro mas vizinha do litoral norte do Estado de São Paulo.
Venho acompanhando os desdobramentos desse fato no GRUPO GUARDIAN, montado para acompanhar as viagens transoceânicas do velejador João Sombra, grande comandante que está na segunda viagem de circunavegação pelo planeta. Atualmente, o Guardian, veleiro clássico e robusto, está na Nova Zelândia passando por uma reforma estrutural para dar continuidade a sua saga. Recebi dele esse texto, para divulgação onde possível, visando manter o assunto em foco tendo em conta que as ocorrências de pirataria estão se somando ao longo do litoral brasileiro. Por estarmos próximos ao local de ocorrência, fica aqui o alerta dado por velejadores que estão preocupados com o assunto que, de alguma forma, afeta a todos nós, amantes do mar.
Peço a quem puder que divulgue esse assunto.
Obrigado e boa leitura
Nelson
ASSALTO E TORTURA EM LANCHA DE RECREIO MARCA AS FÉRIAS DE VERÃO.
Na última sexta feira dia 20 de janeiro, a lancha "PER BACCO", de 18 metros (60 pés) de comprimento, pertencente a um médico paulistano e sediada em Ubatuba, ancorou ao largo da Ilha do Cedro, próxima do povoado costeiro de Tarituba e a pequena distância do centro de Paraty. Era um local abrigado e com poucas outras lanchas fundeadas, e a família dos proprietários do barco (avós, filhos, netos) tencionava passar ali uma noite tranquila em sua excursão de férias de verão.
No correr da tarde, foram abordados por um barco com as cores da Marinha, tendo três elementos fardados procedido a demorada vistoria não só nos documentos da embarcação e de seu timoneiro, mas também nos de todos os tripulantes e passageiros, que tiveram que responder a um verdadeiro inquérito sobre coisas não diretamente relacionadas com a função dos vistoriadores. Igualmente a grande embarcação foi toda percorrida e revistada minuciosamente pelos militares, que finalmente se retiraram.
Tarde daquela noite uma embarcação aproximou-se da lancha silenciosamente, desapercebida, e de súbito irromperam na sua cabine principal três homens encapuzados e armados, ficando pelo menos mais um deles do lado de fora do barco. Renderam todos os tripulantes e passageiros, à exceção do casal de proprietários, muito idosos, que já dormiam em sua cabine. Seu filho e nora imploraram aos assaltantes que não os perturbassem, dizendo que o pai poderia ter um ataque fatal, já que era cardíaco.
Todos os homens, mulheres, crianças a bordo foram obrigados a se despir e depois brutalmente manietados com algemas plásticas. Receberam, sem motivo algum, por simples maldade ou intenção de submetê-los psicologicamente, coronhadas de revolver, socos e pontapés. Divididos em dois grupos, foram torturados separadamente para que contassem onde haveria outros valores além daqueles de que os bandidos já haviam se apossado. No filho do proprietário, também médico, cutucavam a ponta de uma faca no pescoço, e enfiaram em sua cabeça um saco plástico, apertando-o para impedir sua respiração até o ponto do desmaio. Ameaçaram também, várias vezes, jogá-lo n´água assim algemado, bem como seus idosos pais.
Ao fim de uma demorada sessão de tortura e humilhação, os assaltantes soltaram com destreza todos os equipamentos que podiam levar consigo e se retiraram, deixando suas vítimas amarradas no fundo da embarcação. Quando conseguiram se libertar, os proprietários estavam de tal forma traumatizados que quiseram apenas voltar rapidamente a Ubatuba e à capital paulista, onde residem.
Ao gerente da Marina do Engenho, em Paraty, foi pedido que comunicasse o fato à Capitania dos Portos local logo que ela reabrisse na segunda-feira. No entanto, até esta sexta-feira o dono da lancha não havia ainda sido chamado a depor, quer por telefone quer por outros meios, sobre esse assalto com tortura e ameaças de morte, ocorrido a menos de dez milhas da sede do órgão da Marinha.
E de fundamental importância que todos os navegantes e amantes do mar em nosso pais enviem o texto em pauta a todos os seus contatos na internet... sites... blogs e redes sociais...