terça-feira, 3 de abril de 2012

Ainda sobre trens

Antiga estação ferroviária de Águas da Prata (MG) Serra da Mantiqueira
 
Leio com satisfação que cidades da Serra da Mantiqueira estão trabalhando fortemente para reativar os trens de passageiros entre algumas cidades. Claro, não é o transporte convencional, que traria escoamento de pessoas em proporções altas, mas já é uma iniciativa a ser comemorada, porque atualmente a ligação entre as cidades, via férrea, se dá apenas para atender ao transporte de máquinas e minério, por ali.
   O objetivo principal desse trabalho é incentivar o turismo na Serra da Mantiqueira, usando a atração especial que os trens proporcionam. As prefeituras de São João da Boa Vista, Águas da Prata e Poços de Caldas, no sul de Minas, estão trabalhando fortemente nisso, e buscam os recursos necessários, além do apoio técnico para colocar em prática esse projeto. E pensar que a apenas 30 anos, era o meio de transporte número um da região...
   Secretários das prefeituras da região uniram-se a Associação Mogiana de Preservação Ferroviária (AMPF) para reimplantar o trem turístico da região. A entrada da associação foi fundamental porque eles tem maquinistas e oficina mecânica para dar manutenção aos equipamentos que serão utlizados.
   O trem inicialmente fará o percurso saindo de São João da Boa Vista, passando por Águas da Prata e chegando até uma estação que fica na zona rural de Poços de Caldas. No entanto, já estão sendo verificadas outras possibilidades, como a chegada no centro de Poços e uma extensão até Campinas, o que ampliaria em muito as possibilidades do projeto.
   Vou acompanhar esse projeto de perto, porque é daquelas coisas que, numa iniciativa local e regional, vão se ampliando e podem atingir uma região muito grande pelas interligações.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O arroz preto, branco e vermelho do Vale

   Como prometi ontem, vou falar hoje do meu programa de final de semana, que foi ótimo. Estive neste domingo na III Abertura Oficial da Colheita do Arroz no Vale do Paraíba, evento que aconteceu no bairro Colônia do Piagui, em Guaratinguetá (SP). Embora o evento tenha ocorrido em três dias consecutivos, o domingo teve um caráter especial por ser o momento da gastronomia, que aconteceu no Salão de Festas da Igreja de São João Batista, naquele bairro.
   Programação intensa desde as 09h00, com procissão com imagens carregadas em carro de boi, missa campal, benção de máquinas agrícolas (moderníssimas e quase todas dirigidas por mulheres), banda do Exército de Lorena, enfim, tudo que uma festa do interior tem que ter, e mais um pouco.
Prato bem servido a R$ 12,00 - arroz com carne seca e acompanhamentos
   Ao meio dia, começou o festival gastronômico com a abertura das barracas que serviram arroz com tudo o que você possa imaginar. Costelinha de porco, vaca atolada, carne seca, mandioca frita, linguiça calabreza...uma beleza.  Momento muito especial para aproveitar com a família e principalmente para conhecer uma faceta do Vale do Paraíba que é bem desconhecida, qual seja a da cultura do arroz. Empresas da região e produtores rurais tem investido pesado nessa prática, desenvolvendo variedades interessantes e que estão caindo no gosto de muita gente, como o arroz preto e o arroz vermelho - que atingem altos preços nas grandes metrópoles, recomendados por muitos chefs.
Pote de Arroz Preto Ruzene vendido no festival gastronômico
   Domingo agradável e cheio de encontros com pessoas que de outra forma a gente não vê, na pressa do dia a dia. Valeu a pena o passeio.

Festival lotado ao meio dia. Foi a grande opção para o almoço de domingo.
Muito artesanato também a mostra, tudo feito na Colônia do Piagui
Arroz de todo tipo na feira da festa. Vale a pena conhecer as variedades



domingo, 1 de abril de 2012

Festa do Arroz - Guaratinguetá


   Fui hoje, domingo, a Abertura Oficial da Colheita do Arroz do Vale do Paraíba, um evento muito bonito e saboroso. Amanhã vou postar matéria a respeito, com as fotos dos pratos muito bons, doces, artesanato e tudo o mais que foi apresentado por lá.
   Estou preparando. Até amanhã.

sábado, 31 de março de 2012

Que falta fazem os trens



  Dia 29 de Março, uma data importante para quem gosta de trem. Foi em 1855, nessa data, que nasceu a Estrada de Ferro Dom Pedro II, ferrovia privada, que foi encampada pelo governo imperial em 1865. Em 1889, com a República, passou a ser chamada de Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB).
  Hoje, aqui no Vale do Paraíba, o que se vê é um surto de aproveitamento, por parte das prefeituras, das antigas estações que vão sendo transformadas em centros comunitários, museus da ferrovia e escolas de arte. Projetos são feitos para restauro dos prédios - muito bonitos na sua grade maioria - e nas ações que podem ser úteis às comunidades. No entanto, o que tenho observado quase sempre é aquele movimento intenso inicial e depois... paralisia. E novamente vão as estações sendo consumidas pelo tempo.
  Em Lorena, já tive oportunidade de ver várias peças de teatro, eventos empresariais, reuniões de entidades, etc. Em Guaratinguetá, nada há muito tempo. Pindamonhangaba mantém sua estação aberta até porque serve como base operacional da Estrade de Ferro que liga a cidade a Campos do Jordão, passeio imperdível e difícil de ser feito por conta da pouca estrutura e do interesse enorme que suscita.
 Aparecida deu a largada, mas não foi muito adiante também, o que é uma pena.
  Quem mora no Vale do Paraíba tem que conviver com a situação de, tendo hora marcada e saindo de casa com antecedência, ainda assim se atrasar porque o “trem passou”. A cidade é cortada ao meio pela linha férrea e quando uma composição está chegando as cancelas são abaixadas e você pode ficar entre cinco e vinte minutos esperando, com o carro desligado, que uma composição de duzentos vagões passe carregado de produtos industriais dos mais diversos. É irritante, mas como tudo mais na vida, a gente acaba se acostumando.
  Mais irritante do que esperar passar uma composição industrial é ficar pensando em quanto desperdício é ter uma linha pronta, que liga as duas maiores capitais do país, sem utilização para o transporte de passageiros! Como é burra essa lógica de que ônibus e avião resolvem o problema do tráfego de pessoas em volumes crescentes como temos visto ao longo dos anos. Viajar de trem tem a componente emocional que nenhum outro sistema incorpora. O avião pode ser impressionante pela rapidez - em outros tempos era assim, porque hoje, com o colapso dos aeroportos, o que impressiona é confusão generalizada na partida e na chegada. Ônibus é aquela coisa burocrática e chata. Seis horas sentado e se amarrotando todo, sem posição para nada. Carro, um desgaste só. Já de trem … que espetáculo. Partida na Gare, a noite. Entrada no vagão dormitório e na cabine escolhida. Colchões super-confortáveis, ar condicionado, banheiro (aliás, um mini-banheiro sensacional, com aproveitamento de um espaço mínimo). E tudo rebatível, de maneira que, antes de dormir, você podia sentar num sofá aconchegante e ler, conversar, ver a paisagem que lentamente ia passando pela janela. Sem contar a sensação de começar a  viagem no vagão-restaurante, com direito a jantar “a la carte”, ambiente limpo, tudo organizado. E depois de uma noite de sono formidável, um café da manhã reforçado e pronto, você estava no seu destino arrumado e pronto para um dia de trabalho. Opcionalmente, à noite o retorno em grande estilo sem qualquer sequela de desgaste da viagem.
  Nas histórias que circulam pela região, há um sabor especial naquelas contadas pelos ex-ferroviários, aposentados que ainda lutam para preservar a memória daqueles tempos. Por exemplo, o serviço era tão bem estruturado que havia uma “classe mortuária”, onde eram transportados corpos de pessoas que haviam morrido em uma cidade e seriam enterrados em outras. Contam os mais antigos que o trem passava vagarosamente pelas estações do seu trajeto transportando sua carga fúnebre. Alguns hábitos ficaram arraigados em gerações que, após a missa, corriam para a estação para ver as personalidades que estavam passando por ali, naquele dia. Em Pindamonhangaba, conta-se a história de um dia em que o trem, transportando o então presidente Epitácio Pessoa, iria passar pela estação. Foi montada uma festa enorme, com banda de música e tudo o mais. O povo acorreu todo para lá. O maquinista da composição tinha ordem de passar direto, mas quando viu aquele mar de gente acabou se empolgando … e parou em Pinda. Coisas que só quem viu pode contar.
  Enfim, em seus mais de 150 anos de existência os trilhos da estrada de ferro ainda esperam a volta do movimento nas estações. Se ao invés de “trens-bala” houvesse interesse político em fazer voltar esse sensacional meio de transporte, os custos seriam infinitamente inferiores, e a satisfação muito maior. Reativar os trens seria uma solução maravilhosa, e não perco a esperança de ver isso acontecer.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O maravilhoso urucum

Urucum e suas sementes

   Andando pelas ruas da cidade hoje, minha filha encontrou vários frutos de urucum. Interessante é que ela, tanto quanto eu, nunca tinha tido um destes ao alcance das mãos e ficamos muito curiosos com as características. Sabia que era usado pelos indígenas para colorir o corpo e para pinturas em festividades, mas o legal foi pesquisarmos juntos as maravilhas oferecidas por ele. Fica aí uma foto de um dos frutos que pudemos observar. Essas coisas são ótimas para se fazer com os filhos: pesquisar o mundo ao redor e descobrir suas maravilhas.

Carnaval no Interior: São Luiz do Paraitinga



Os turistas estão prestes a chegar e a cidadezinha, de 10 mil habitantes, se prepara para ver a população quintuplicar. Com alegria e apreensão, São Luiz do Paraitinga aguarda o retorno do Carnaval.


Sede de festas tradicionalmente concorridas, a cidade, à beira do rio Paraitinga, no Vale do Paraíba, viu seu centro histórico literalmente ir por água abaixo. A tragédia, ocorrida em janeiro de 2010, enterrou a folia naquele ano.
Já em 2011, o Carnaval voltou a ser realizado. Para lá foram 75 mil turistas, isso ao longo dos cinco dias do evento. A festa, porém, aconteceu fora do centro histórico.
No próximo dia 17, parte da folia volta ao cenário original. Os blocos tradicionais, como Barbosa e Juca Teles, vão pular, com suas bandas e bonecos gigantes, na praça Oswaldo Cruz e imediações.
Outros eventos simultâneos acontecerão em outros pontos da cidade, na tentativa de levar os turistas mais agitados para fora do centro.
A ideia de descentralizar a festa almeja, acima de tudo, preservar as áreas sensíveis da cidade. Há edifícios que ainda estão em condições estruturais precárias, sustentados por vigas de madeira.
Se São Luiz do Paraitinga deseja, por um lado, mostrar que se recuperou da tragédia, por outro, não quer repetir carnavais como o de 2009, cuja lembrança ainda causa apreensão nos moradores.
"Uma cidade com boa infraestrutura turística tem capacidade para, no máximo, dobrar sua população na alta temporada. Em 2009, porém, recebemos 180 mil turistas [ao longo dos cinco dias], provavelmente seis vezes o número de habitantes simultaneamente", relata o empresário Henrique Guerra.
As recordações daquele ano envolvem lixo nas ruas, falta de energia e filas nos mercados.
Uma das medidas que São Luiz do Paraitinga tomará para evitar a superlotação é o desvio do tráfego. Quando as 5.000 vagas de estacionamento ou zona azul forem preenchidas, as estradas serão fechadas, e veículos não terão como entrar na cidade.

APENAS MARCHINHAS

A preocupação dos habitantes vai além do patrimônio material: nos dias de folia, é proibido ligar aparelhos de som em locais públicos. Nada de axé ou sertanejo, portanto. Só as marchinhas (e apenas as compostas em São Luiz do Paraitinga!) são permitidas no Carnaval.
Um folheto distribuído aos foliões todos os anos, explicando as regras do evento, também expõe a proibição de sprays, garrafas e copos de vidro, e pede que não se urine nas fachadas das casas. Churrasqueiras nas calçadas são passíveis de apreensão.
Cada bloco sugere um tema para a fantasia a ser usada -o bloco do Barbosa, por exemplo, sai vestido de motorista de ônibus. O bloco Encuca a Cuca, quando existia, só permitia a entrada de mascarados vestidos de cores escuras. Seus bonecos eram monstros, e as marchinhas falavam sobre terror. Hoje, o bloco não sai mais: há o receio de que turistas, aproveitando o anonimato, atentem contra a integridade dos foliões.

Folha de São Paulo
Caderno Turismo
09 de fevereiro de 2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Pirataria em Paraty

É muito comum, para os que vivem no interior, ter uma casa de campo ou praia quando isso é possível. Manter um local para onde se pode escapar nos finais de semana ou nas férias, garantindo o conforto de casa em uma região de veraneio pode ser muito agradável. Aqui no Vale do Paraíba, grande parte das pessoas que podem manter esse padrão escolhem o chamado "Litoral Norte", com praias sensacionais como as de Ubatuba e Caraguatatuba, ou mesmo os prazeres proporcionados por Ilhabela, que dispensa apresentações.

No entanto, coisas estranhas estão acontecendo por lá. No período do verão, férias escolares, alta concentração de pessoas de variado poder aquisitivo, as coisas ficam meio complicadas em termos de segurança. Observo, ao longo do tempo, que medidas cada vez mais concretas estão sendo tomadas, mas nunca é possível evitar as consequências naturais dessa época, com muita bebida, gente ansiosa por se divertir e os oportunistas de plantão que estão sempre presentes nessas ocasiões. Fatos normais, que vão sendo resolvidos. O que chamou a atenção nesse janeiro foi a ocorrência de um ato de pirataria na aprazível Paraty, já do lado do Rio de Janeiro mas vizinha do litoral norte do Estado de São Paulo.

Venho acompanhando os desdobramentos desse fato no GRUPO GUARDIAN, montado para acompanhar as viagens transoceânicas do velejador João Sombra, grande comandante que está na segunda viagem de circunavegação pelo planeta. Atualmente, o Guardian, veleiro clássico e robusto, está na Nova Zelândia passando por uma reforma estrutural para dar continuidade a sua saga. Recebi dele esse texto, para divulgação onde possível, visando manter o assunto em foco tendo em conta que as ocorrências de pirataria estão se somando ao longo do litoral brasileiro. Por estarmos próximos ao local de ocorrência, fica aqui o alerta dado por velejadores que estão preocupados com o assunto que, de alguma forma, afeta a todos nós, amantes do mar.

Peço a quem puder que divulgue esse assunto.
Obrigado e boa leitura
Nelson


ASSALTO E TORTURA EM LANCHA DE RECREIO MARCA AS FÉRIAS DE VERÃO.

Na última sexta feira dia 20 de janeiro, a lancha "PER BACCO", de 18 metros (60 pés) de comprimento, pertencente a um médico paulistano e sediada em Ubatuba, ancorou ao largo da Ilha do Cedro, próxima do povoado costeiro de Tarituba e a pequena distância do centro de Paraty. Era um local abrigado e com poucas outras lanchas fundeadas, e a família dos proprietários do barco (avós, filhos, netos) tencionava passar ali uma noite tranquila em sua excursão de férias de verão.

No correr da tarde, foram abordados por um barco com as cores da Marinha, tendo três elementos fardados procedido a demorada vistoria não só nos documentos da embarcação e de seu timoneiro, mas também nos de todos os tripulantes e passageiros, que tiveram que responder a um verdadeiro inquérito sobre coisas não diretamente relacionadas com a função dos vistoriadores. Igualmente a grande embarcação foi toda percorrida e revistada minuciosamente pelos militares, que finalmente se retiraram.

Tarde daquela noite uma embarcação aproximou-se da lancha silenciosamente, desapercebida, e de súbito irromperam na sua cabine principal três homens encapuzados e armados, ficando pelo menos mais um deles do lado de fora do barco. Renderam todos os tripulantes e passageiros, à exceção do casal de proprietários, muito idosos, que já dormiam em sua cabine. Seu filho e nora imploraram aos assaltantes que não os perturbassem, dizendo que o pai poderia ter um ataque fatal, já que era cardíaco.

Todos os homens, mulheres, crianças a bordo foram obrigados a se despir e depois brutalmente manietados com algemas plásticas. Receberam, sem motivo algum, por simples maldade ou intenção de submetê-los psicologicamente, coronhadas de revolver, socos e pontapés. Divididos em dois grupos, foram torturados separadamente para que contassem onde haveria outros valores além daqueles de que os bandidos já haviam se apossado. No filho do proprietário, também médico, cutucavam a ponta de uma faca no pescoço, e enfiaram em sua cabeça um saco plástico, apertando-o para impedir sua respiração até o ponto do desmaio. Ameaçaram também, várias vezes, jogá-lo n´água assim algemado, bem como seus idosos pais.

Ao fim de uma demorada sessão de tortura e humilhação, os assaltantes soltaram com destreza todos os equipamentos que podiam levar consigo e se retiraram, deixando suas vítimas amarradas no fundo da embarcação. Quando conseguiram se libertar, os proprietários estavam de tal forma traumatizados que quiseram apenas voltar rapidamente a Ubatuba e à capital paulista, onde residem.

Ao gerente da Marina do Engenho, em Paraty, foi pedido que comunicasse o fato à Capitania dos Portos local logo que ela reabrisse na segunda-feira. No entanto, até esta sexta-feira o dono da lancha não havia ainda sido chamado a depor, quer por telefone quer por outros meios, sobre esse assalto com tortura e ameaças de morte, ocorrido a menos de dez milhas da sede do órgão da Marinha.

E de fundamental importância que todos os navegantes e amantes do mar em nosso pais enviem o texto em pauta a todos os seus contatos na internet... sites... blogs e redes sociais...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Gravidez, Futebol e Invasão

Fatos geradores de notícias na mídia nacional

  A grande mídia tem suas motivações para publicar matérias, e geralmente procuram aquilo que parece estar no gosto popular, como tragédias, futebol, situações bizarras e conflitos. Vá você saber o que pode ser mais mobilizador de audiência!
   Mas fico atento as coisas que vejo na mídia nacional referentes a região onde moro, e invariavelmente são as mesmas. Tenho insistido em vários contatos com prefeitos sobre a necessidade de criação de temas para as cidades, mas parece que isso está acima das perspectivas locais, por diversos motivos. Entretanto, o fato é que tendo um tema, tudo fica mais fácil em termos de divulgação da região ou da cidade. Veja o caso de Campinas (SP), conhecida internacionalmente pela concentração profissionais e clínicas da área de oftalmologia. Ou Barretos, que além de conseguir projeção com seu rodeio (Barretão), também conta com uma excelente divulgação por conta do Hospital do Câncer que é mantido naquela cidade e é referência nacional. Sem falar em Caruaru, Capital do Forró e Arraial do Cabo, Capital do Mergulho.
   Recentemente (ano passado), Taubaté (SP) foi elevada a condição de Capital Nacional da Literatura Infantil, em homenagem a Monteiro Lobato e sua obra, e está projetando para esse ano a segunda edição da FLIT (Feira Internacional da Literatura Infantil), compondo com Paraty - com a sua FLIP - uma moldura formidável na área cultural.
   Mas o fato é que para a grande imprensa, alguns assuntos são hoje extremamente importantes, superando tudo o mais que possa vir a acontecer por aqui. Falo de três casos em particular, que vem obtendo grande projeção e ocupando espaço nos veículos impressos, radiofônicos, televisivos e na internet. O primeiro deles é o caso da desocupação do Pinheirinho, área ocupada por longos anos e que a Justiça resolveu agora, mesmo que com divergências na esfera estadual e federal, dar reintegração de posse. Terreno de mais de um milhão de metros quadrados ocupado por 6,5 mil pessoas (praticamente o tamanho de muitos municípios da região e, em alguns casos, com uma população duas vezes maior), localizado em São José dos Campos e parte do acervo da Selectra, empresa do especulador Naji Nahas, que faliu. Depois de muita discussão, 2.000 policiais militares invadiram a área no domingo as 06h00 e desocuparam a área. E todas as consequências sociais estão em andamento agora. Vamos ver como será o final disso.
   O outro caso é o da "grávida de Taubaté", uma pedagoga de nome Maria Verônica Aparecida César Santos, de 25 anos, dona de uma escola, que recentemente apresentou-se como futura mãe de quadrigêmeos. Sua barriga era descomunal, mas sua desenvoltura chamou a atenção e indo a fundo na questão... constatou-se de que não era gravidez, mas sim uma barriga de silicone acrescida de panos que davam um volume descomunal. Desmascarada pelo médico que a atendeu no ano passado e constatou que não havia gravidez, através de uma ultrassonografia, a pedagoga sumiu. Seu advogado veio a público para reiterar a farsa e pedir clemência ao público. No entanto, a grande pergunta que está sendo feita insistentemente é "por que ela inventou essa história"? E várias outras estão no ar, como por exemplo o fato de o marido dela não saber da farsa, entre outras. É aguardar para saber.
   Finalmente, uma das coisas que ficou bastante evidenciada foi a importância que um time de futebol tem para uma cidade, principalmente quando alcança um nível  técnico que permite sua projeção. No ano passado, o Guaratinguetá F.C., time-empresa, procurando por melhores condições de parceria com patrocinadores e apoiadores, resolveu sair da cidade e mudou-se para Americana (SP), onde não deu certo. Várias razões levaram a isso, entre elas o fato de que, não tendo sua origem na cidade, não havia qualquer ligação afetiva com a torcida, que curiosamente continuou preferindo torcer por um time local, menos importante, mas com ligações históricas com a cidade. Depois de alguma articulação, o Guaratinguetá voltou para a cidade de origem. O que observei foi que a mídia, que falava da cidade frequentemente, parou completamente de citá-la durante a ausência do time e imediatamente passou a falar novamente com seu retorno. Para todos os efeitos e em todos os sentidos, manter um time relevante é fundamental para garantir essa presença. E eu nunca tinha imaginado o quão importante era isso...
   Enfim, o fato é que a região está cheia de novidades nessa segunda feira e certamente vai ficar na mídia um bom tempo por conta disso.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Política no interior

Política no interior: os subterrâneos das negociações preliminares

   Amigos, política no interior não é coisa para amador nem para cardíaco. Política nos grandes centros é uma coisa meio distante, ou seja, você pode passar todo o período eleitoral sem ter contato com nenhuma negociação, nenhuma pressão de voto e ter seu sossego perturbado principalmente pelo horário eleitoral gratuito. No interior, não é bem assim. Se todo brasileiro é meio técnico de futebol, no interior todo munícipe tem uma idéia "clara" de quem vai ganhar, quem vai perder, quem fez besteira, quem não devia ter se candidatado, etc.
   Todo mundo tem uma opinião mais ou menos abalizada. E o pior que você pode fazer é escutar todo mundo, porque fatalmente fica sem opinião nenhuma. Existem figuras folclóricas aqui, em Guaratinguetá, como devem existir em muitas outras cidades. Um professor aposentado, frequentador da Praça Rodrigues Alves - centro de discussões políticas da cidade - durante muitos anos mantinha uma lista de candidatos que funcionava como elemento importante para a decisão de voto de muita gente. Não sei se esse ano estará ativo, porque soube que esteve doente. Mas se estiver ativo, vai manter a lista que, curiosamente, sempre deu certo. Ninguém sabe a metodologia dele, mas que é pitoresco é.
   O Vale do Paraíba está vivendo um momento muito particular esse ano, por ter se tornado Região Metropolitana. Muita coisa vai ser alterada, novas estruturas estão surgindo, fatores novos vão se tornar atrativos para a região e no momento tudo está meio em suspenso. No entanto, a movimentação política já é perceptível e embora as campanhas só se iniciem lá para julho, o caldeirão está em ebulição.
   Vamos falar mais a respeito nos próximos posts, na medida em que os movimentos se tornem mais evidentes, porque acompanhar essa novela vai render fortes emoções.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Uma caixa de cachorros

   Sexta feira, por volta das 13h00. Tinha acabado de almoçar em casa, e como faço sempre, dei uma saída para espairecer. Geralmente, faço isso no pequeno jardim, em frente de casa, de onde posso ver a rua. Vi pelo canto dos olhos um movimento inusitado, e foquei na área externa para entender aquilo. Um pequeno cachorro, filhote de um mês no máximo, estava no meio da rua... sózinho! Seguindo um homem que por sua vez olhava para trás e acelerava o passo. Quando olhei embaixo de um pequeno arbusto fronteiro ao muro, vi uma caixa de papelão com alguma coisa se mexendo dentro.
   A primeira reação foi de abrir o portão e ver o que estava acontecendo, e nesse meio tempo o cachorro que estava no meio da rua voltou para a caixa de papelão. Olhando para dentro da mesma, fiquei chateado: haviam abandonado três filhotes na porta da minha casa. Não havia mais ninguém na rua e a primeira providência foi recolher os bichos para evitar uma tragédia maior. Olhando melhor, os três estavam sujos, quase sem reação provavelmente por inanição e com carrapatos andando pelo pelo. Para quem gosta de animais, como eu, isso é uma pancada no peito. Dói ver o estado a que animais podem ser relegados.
   Providência seguinte: não podendo ficar com os animais, comecei a recorrer aos órgãos públicos que poderiam atender numa situação como essa, e descobri que não há essa hipótese. O Departamento de Zoonoses, não recebe filhotes. Segundo o tratador que me atendeu, abriga apenas animais "problemáticos", ou seja, cachorros que estejam atacando pessoas na rua, com indícios de raiva, ou outros problemas denunciados pela população. O Corpo de Bombeiros não tem idéia sobre o que fazer. A Ouvidoria da cidade, atendendo com muita cortesia, disse que não tem a menor idéia quanto ao que fazer. Ninguém sabe nem alternativas para o problema. Cachorros abandonados, de qualquer idade, não existem para o poder público.
   Passei para entidades da sociedade civil, mas também observei que não ia ser possível encontrar alguém que ajudasse. Existe uma ONG que não tem sede, e que trabalha com campanhas de castração de animais, mas não tem abrigo e nem sede. Veterinários, mesmo aqueles que são mais dedicados, também não tem qualquer informação concreta sobre o que fazer. Indicam alternativas em um mercado que está surgindo, ou seja, o de pessoas que se comprometem a deixar o animal para adoção, cobrando uma taxa para vacinar e preparar o bicho para exposição. Uma boa veterinária da cidade me informou que mesmo assim, ficasse atento porque existem pessoas que colocam inclusive anúncio em jornais locais oferecendo esse serviço a R$ 20,00 por animal, sendo que depois que a pessoa vai embora, sacrificam todos, enterram e informam, quando questionados, que foram adotados. Um mergulho nesse mundo revela um problema sério nas cidades do interior - e mesmo nas grandes cidades. É um problema praticamente desconhecido da grande maioria de nós.
   Para resumir a maratona enfrentada, consegui saber que o dono de uma casa de ração onde sempre comprei materiais para minha cadela, que morreu recentemente, faz um tipo de trabalho que me pareceu adequado. Realmente ele analisa os animais, cobra R$ 15,00 por cada um que é deixado para ser oferecido para adoção, lava, vermifuga, vacina contra sinomose e raiva e expõe na frente da loja, em gaiolas próprias. Como os bichinhos que resgatei da rua estavam muito mal, cobrou R$ 20,00 por cada um. E quando o pessoal aqui de casa foi ve-los hoje, para saber se tudo estava bem, encontrou-os bem melhor, mais fortinhos, hidratados e alimentados. Ou seja, tudo bem até aqui. E que assim seja daqui para frente, com o melhor para eles.
   Enfim, uma coisa que a gente não entende como sendo um problema, é algo terrivelmente mal resolvido. Não há uma organização pública ou civil que faça frente a esse assunto. Soube de vários casos de pessoas que se dedicam ao cuidado de animais abandonados, todos passando grandes dificuldades por conta da falta de recursos, de apoio, de interesse ou colaboração de quem quer que seja. Algumas desistem depois de um longo tempo. Outros sucumbem a falta de recursos. Mas no final das contas, embora a gente saiba que existem muitos, como nós, falta articulação. Fiquei muito mobilizado com tudo isso e estou começando a me mexer no sentido de saber mais como ajudar a resolver essa questão. É uma condição vital para mim entender e ajudar. Volto ao assunto em outro post, quando tiver conhecido melhor o assunto.

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