quinta-feira, 28 de agosto de 2014

E parou a Cunha x Paraty novamente

   Uma estrada formidável, sinuosa, cheia de sustos e sobressaltos mas compensando por oferecer vistas maravilhosas, silêncio selvagem e algumas opções de gastronomia e lazer ao longo do trajeto, estrada Cunha x Paraty foi novamente embargada no dia 21 de agosto de 2014. Passa no meio do Parque Nacional da Serra da Bocaína e, por conta disso, tem tratamento mais cuidadoso do que outras obras de pavimentação. 
   Prometida há décadas, embargada em 1986 e retomada no fim de 2012, a polêmica pavimentação da Estrada Paraty-Cunha, entre o Rio e São Paulo, que corta ao meio o Parque Nacional da Serra da Bocaina, esbarrou na Justiça. A juíza federal Ana Carolina Vieira de Carvalho, de Angra dos Reis, determinou a suspensão das obras, realizadas pelo governo do Rio, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.
    Trechos da Paraty-Cunha coincidem com o chamado Caminho do Ouro, construído por escravos no século 17 a partir de trilhas abertas por índios. O Parque da Bocaina é uma das maiores áreas de proteção da Mata Atlântica no País, mas tem apenas 12 funcionários para cuidar de 104 mil hectares.
   Há seis anos no cargo, o chefe do parque, Francisco Livino, disse que parar as obras não significa deixar a área de proteção intocada. "Por mais que sejam necessários ajustes, a não execução da obra vai condenar o parque a permanecer exposto ao processo de degradação que ocorre desde a sua criação, há mais de 40 anos, com a continuidade de processos erosivos e do acesso descontrolado de invasores, madeireiros e caçadores, dentre outros", disse o analista do ICMBio, referindo-se ao trecho sinuoso de terra.
   



terça-feira, 3 de junho de 2014

A Guerra pela Água do Rio Paraíba

Opções são aumentar oferta de água com qualidade e reduzir os desperdícios

O dia 22 de março foi escolhido pela ONU (Organização das Nações Unidas) como Dia Mundial da Água. A data foi definida como dia para conscientização e debates sobre os recursos hídricos. Este ano, na data ficou evidente a importância desse precioso bem, cada vez mais escasso, para a sociedade com a intensa disputa entre os estados de São Paulo e Rio de janeiro pelas águas do rio Paraíba do Sul. Essa disputa aponta para uma maior importância do Vale do Paraíba como produtor de água s.
Em um verão atípico na região Sudeste, com clima quente e seco e ausência de planejamento de longo prazo para gestão dos recursos hídricos, houve uma grande crise de abastecimento de águas, principalmente na Região Metropolitana de São Paulo. A situação deve se agravar nos próximos meses, com a entrada do inverno, período com chuvas ainda mais escassas. O estado de São Paulo fez, na última semana, uma proposta de construção de um túnel de 15 quilômetros interligando as represas do Jaguari, da bacia do rio Paraíba do Sul, ao reservatório de Atibainha, do Sistema Cantareira, que abastece a Região Metropolitana de São Paulo. A obra, prevista para ser concluída em 14 meses, e orçada em R$ 500 milhões, precisa da autorização da ANA (Agencia Nacional de Águas) pelo fato de o Paraíba do Sul ser um rio federal.
A proposta paulista não agradou o estado do Rio de Janeiro, maior consumidor das águas da bacia do Paraíba do Sul. As justificativas do estado é que o Rio de Janeiro já enfrenta problemas de escassez de recurso hídricos e o rio Paraíba do Sul é a única opção de abastecimento da capital do estado, enquanto São Paulo tem outras possibilidades de abastecimento, com rios de outras bacias. Além disso, outros argumentos apresentados pelo estado fluminense são de que redução da vazão dificultará diluição da poluição e, também, aumentará salinização, com maior entrada de água salgada na foz do rio.
Estudo do Ceivap (Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul) apontou que, em 2011, a captação de 64 mil litros por segundo de água do rio Paraíba do Sul para o abastecimento, 14 mil l/s, para uso industrial e 30 mil l/s para uso agrícola. Uma crise hídrica pode, em médio prazo, reduzir a competitividade econômica da região cortada pelo rio Paraíba do Sul, hoje uma das mais industrializadas do país. A região do Vale do Paraíba é responsável pela produção desse rico e disputado recurso, as águas do rio Paraíba do Sul, e não tem recebido o devido apoio das duas grandes regiões metropolitanas, São Paulo e Rio de Janeiro, e assim como internamente ainda foi pouco despertado maior interesse por esse importante recurso. O aumento da oferta de água produzido no Vale do Paraíba depende da preservação ambiental. Desse modo, é fundamental um plano urgente que remunere os produtores rurais da região, que substituírem as atividades agropecuárias de baixa produtividade pela produção de água, produto de maior relevância.
Para isso, é necessário que esses produtores recebam pelo bem que farão para a coletividade. Há alguns projetos nessa linha, mas ainda muito tímidos, na região.
Além do aumento da produção de água, outras medidas são fundamentais para reduzir a demanda por água, como reduzir a poluição dos rios e rever a política de irrigação com esse bem precioso, nessa bacia. Produzir água na nossa região é prioridade, frente à produção de alimentos, que pode ser desenvolvida por outras regiões do país.
Também, é urgente reduzir o desperdício de água, pois, segundo o Instituto Trata Brasil, no país 36% da água tratada não são aproveitados.

Autor: EDSON TRAJANO
É ECONOMISTA E PROFESSOR DA UNITAU
edson.trajano@ovale.com.br
http://seubolso.ovale.com.br/