Mostrando postagens com marcador dificuldade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dificuldade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Maravilhas celulares



Guaratinguetá, 10 anos atrás. Corria o ano de 2001, e conseguir fazer uma ligação da zona rural exigia esforço e dinheiro. Primeiro porque não havia rede de telefonia fixa na área e segundo que a chamada “telefonia rural” tinha um custo exorbitante, que só podia ser pago por fazendeiros abastados. Um produtor rural de pequeno porte ficava num isolamento total, tal como no século XVIII.
Guaratinguetá, 2011. Minha sogra, que mora a 25km do centro de Guaratinguetá, dentro de uma fazenda, no meio do nada, comprou uma antena e um telefone de R$ 100,00 e fala à vontade. Todos os enormes problemas de comunicação foram eliminados, e note que eram muitos. Pessoas idosas, vivendo isoladas, correm riscos muito maiores, e já aconteceu de tudo nesse meio tempo sem que o incidente se transformasse em crise ou coisa pior. De falta de remédio a picada de cobra, tudo vai sendo resolvido com créditos adquiridos no pré-pago dela. A família de minha esposa, que é grande, vive conectada em rede celular, usando as promoções, descontos e atenta aos planos disponíveis.
Isso acontece hoje com frequência cada vez maior, inclusive com famílias que moram a milhares de quilômetros de distância, e as operadoras estão atentas a isso. Li recentemente que aqueles planos do tipo “R$ 0,25 por tempo indeterminado” foram criados para suprir a necessidade de contato entre aqueles que vieram do nordeste para trabalhar nas capitais do sudeste e seus familiares. Tem toda lógica. E funciona muito bem. Hoje, aquela cena do filme “Central do Brasil”, em que a Fernanda Montenegro protagoniza uma “escritora de cartas” em sua banquinha, cobrando alguns centavos para atender aos que não sabiam escrever em sua tentativa de comunicação com parentes distantes, é apenas figura do passado. O contato direto entre os corações se faz através de um telefonema.
Claro, ainda temos um dos sistemas mais caros do mundo, que vai sofrer ajustes redutores severos porque a competição está a cada dia mais acirrada. Mas também temos condições de fazer coisas formidáveis, mesmo com aparelhos dos mais baratos. E os celulares vão sendo colocados em lugar de destaque nas salas mais humildes, como símbolo de modernidade sim, mas de amor também. Quem não fala de boca cheia: “Esse negócio aí foi meu filho que me deu para eu poder falar com ele”. Sinal dos tempos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Vivendo no Interior - Parte I

Estacionar nos grandes centros está cada vez mais difícil
Falei anteriormente que existem “vários” interiores. Cidades com mais de 300 mil habitantes já começam a ter padrões de comportamento e problemas estruturais equivalentes aos das grandes metrópoles, mas ainda guardam aquilo que se poderia classificar como hábitos interioranos. Cidades com mais de 500 mil habitantes, perderam isso em algum momento, ficando mais com os problemas do que com os hábitos, mas ainda assim podem ser bem agradáveis para viver.

Lendo os jornais, fico sabendo que é cada vez maior a quantidade de pessoas que, em São Paulo, vão deixando a capital e mudando para o interior, em virtude da melhora da qualidade de vida para a família, ainda que os que trabalham mantenham seus empregos na capital. Isso é um dilema antigo de muitos, mas uma decisão que se mostra cada vez mais acertada para muitos. Cidades como Atibaia (SP), que fica a 66 km de São Paulo - um trajeto de aproximadamente 56 minutos ou Jundiaí (SP), distante mais ou menos 60 km pela Rodovia dos Bandeirantes, passam por um surto de crescimento contínuo frente a chegada de mais e mais famílias que fazem essa opção.
Mas, ao mesmo tempo que a preocupação com a segurança e qualidade de vida da família é o principal motor para essas mudanças, seus membros podem ser elementos complicadores, como no caso de filhos adolescentes que, em virtude de seu círculo social, não se adaptam ao novo modelo de vida. Em outros casos, opções por universidades mais afamadas também faz com que muitos não queiram deixar os grandes centros, complicando a estrutura do projeto, na medida em que efetivamente passam a ser dois os locais de morada, dividindo assim a família e onerando o caixa.
De toda forma, se você não tem maiores problemas - ou por ter filhos já encaminhados ou por serem os mesmos ainda muito novos para decidirem qualquer coisa a esse respeito - estar em uma cidade do interior é algo bastante vantajoso.
Tendo em conta, por exemplo, que a quantidade de carros quase dobrou no Brasil nos úlitmos dez anos, passando de 21 milhões para quase 39 milhões de veículos, sendo a maior concentração dos mesmos nos grandes centros, já se pode ter uma idéia de como a coisa é complicada não só para circular, mas principalmente para estacionar um carro numa grande cidade. E mesmo quando você tem que pagar estacionamento, numa cidade do interior o valor médio é de R$ 3,00 para a primeira hora, e R$ 1,00 pelas horas seguintes. Já numa cidade como São Paulo, pela escassez, esse serviço pode alcançar algo como R$ 900,00 por mês para um motorista que use o carro para trabalhar, o que impacta em qualquer orçamento de maneira cruel.
Bem, imaginando que os 1,8 milhões de veículos - frota legal da cidade do Rio de Janeiro - resolvessem ir à rua ao mesmo tempo, a situação já seria caótica. Mas imagine esse contingente de motoristas tentando achar uma vaga entre as 45 mil legalmente existentes na cidade. Trágico. A relação é de 40 carros para uma vaga, quase um vestibular para Medicina em alguma conceituada universidade pública. E conseguir estacionar é algo que deve ser comemorado como entrar para a faculdade, nessas circunstâncias!
Bem, esse é um dos aspectos que achei interessante relatar, frente as informações que fui recebendo durante o final de semana. Mas vamos falar dos dois aspectos: o bom e o ruim. Tudo para você poder entender essa dinâmica pela ótica de quem já está aqui mas veio de lá.