Guaratinguetá, 10 anos atrás. Corria o ano de 2001, e conseguir fazer uma ligação da zona rural exigia esforço e dinheiro. Primeiro porque não havia rede de telefonia fixa na área e segundo que a chamada “telefonia rural” tinha um custo exorbitante, que só podia ser pago por fazendeiros abastados. Um produtor rural de pequeno porte ficava num isolamento total, tal como no século XVIII. Guaratinguetá, 2011. Minha sogra, que mora a 25km do centro de Guaratinguetá, dentro de uma fazenda, no meio do nada, comprou uma antena e um telefone de R$ 100,00 e fala à vontade. Todos os enormes problemas de comunicação foram eliminados, e note que eram muitos. Pessoas idosas, vivendo isoladas, correm riscos muito maiores, e já aconteceu de tudo nesse meio tempo sem que o incidente se transformasse em crise ou coisa pior. De falta de remédio a picada de cobra, tudo vai sendo resolvido com créditos adquiridos no pré-pago dela. A família de minha esposa, que é grande, vive conectada em rede celular, usando as promoções, descontos e atenta aos planos disponíveis.
Isso acontece hoje com frequência cada vez maior, inclusive com famílias que moram a milhares de quilômetros de distância, e as operadoras estão atentas a isso. Li recentemente que aqueles planos do tipo “R$ 0,25 por tempo indeterminado” foram criados para suprir a necessidade de contato entre aqueles que vieram do nordeste para trabalhar nas capitais do sudeste e seus familiares. Tem toda lógica. E funciona muito bem. Hoje, aquela cena do filme “Central do Brasil”, em que a Fernanda Montenegro protagoniza uma “escritora de cartas” em sua banquinha, cobrando alguns centavos para atender aos que não sabiam escrever em sua tentativa de comunicação com parentes distantes, é apenas figura do passado. O contato direto entre os corações se faz através de um telefonema.
Claro, ainda temos um dos sistemas mais caros do mundo, que vai sofrer ajustes redutores severos porque a competição está a cada dia mais acirrada. Mas também temos condições de fazer coisas formidáveis, mesmo com aparelhos dos mais baratos. E os celulares vão sendo colocados em lugar de destaque nas salas mais humildes, como símbolo de modernidade sim, mas de amor também. Quem não fala de boca cheia: “Esse negócio aí foi meu filho que me deu para eu poder falar com ele”. Sinal dos tempos.
E viva a tecnologia! Quando comecei a namorar Gilberto, gastava praticamente todo o meu salário para fazer uma ligação de Natal para o Rio ( isso nos idos de 70). Detalhe:a ligação só podia ser feita na cabine da telefonica.Era brabo, mas eu já achava um progresso rsrsrs. Hoje falo com meus familiares praticamente todos os dias, uma ligaçao de vários minutos e pago uma merreca. Bons tempos esse de hoje!
ResponderExcluirÉ isso Arilza, para quem veio das dificuldades da comunicação como nós para o que se pode fazer hoje, o sentimento é mágico. Tem uma senhora que mora aqui ao lado que passa o dia no Skype falando com filhos de todo o BRasil, com vídeo. Imagina que maravilha para ela. Enfim, viva a tecnologia, como você disse!
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