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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Transporte no interior

Ainda não está acontecendo, mas ...

   Uma coisa que eu percebi claramente, desde que vim morar no interior foi que, sem um meio de transporte, você está numa situação de risco. O transporte coletivo, serviço essencial, é uma das coisas mais problemáticas para quem mora em locais em que as distâncias são grandes e a logística é péssima. Os acordos entre empresas de ônibus e prefeituras nunca atendem a totalidade dos passageiros e os conflitos de interesse não são resolvidos levando em consideração as necessidades dos usuários, mas sim a lucratividade do sistema.
   Varia muito de município para município, mas a média de avaliação é baixa. Durante um bom tempo, fiquei sem carro em Guaratinguetá, e paguei um preço alto por isso, seja em termos de possibilidade de atender clientes, seja pelo custo financeiro, seja pelos riscos inerentes ao fato de que, em determinado momento, você não vai para lugar algum, mesmo que esteja disposto a pagar um táxi - param de atender a partir das 02h00 da madrugada...
   Lembrei-me desse assunto porque foi anunciado pela mídia regional que a passagem de ônibus vai passar de 2,50 para 2,80 no dia 22 de dezembro, e tudo acontece meio que "no automático". Segundo a Prefeitura de Guaratinguetá, os contratos de concessão dos serviços de transporte coletivo de passageiros preveem o reajuste das tarifas, periodicamente, a partir das planilhas de custos. E isso, rigorosamente, não é o melhor, até porque não é avaliada a qualidade do serviço no dia a dia, esperando-se sempre que hajam situações limite para que alguma providência seja tomada.
   Isso explica a quantidade de carros existentes e, principalmente, a busca de alternativas de transporte, como bicicletas (motorizadas ou não), mototáxis não regulamentados, vans, carros particulares fazendo lotação, etc.


LocalidadesVariáveis199720022010
GuaratinguetáFrota de Automóveis20.53831.037
Frota de Ônibus225158
Frota de Motocicletas e Assemelhados4.62511.648
Táxis Registrados109

Fonte: SEADE (dados disponíveis em 6 de dezembro de 2011

   A frota de automóveis da cidade de um salto entre 2002 e 2010, corroborando essa teoria. São atualmente 31.037 veículos circulando numa cidade de 107 mil habitantes, o que é bastante significativo. Motocicletas e assemelhados deram um salto no mesmo período, mais do que dobrando em termos de quantidade, o que aumentou em muito o número de acidentes e problemas de trânsito.Táxis já foram mais escassos, e aumentaram, mas não há registro desse aumento nas pesquisas. No entanto, a prestação de serviços não é das melhores principalmente pelo preço cobrado - normalmente fazem aquela corrida com preço determinado, que nem sempre é o que o taxímetro cobraria (aliás, quase nunca).
   Tive acesso a um número de 2005, que fala de um total de 70.000 bicicletas na cidade. Não tenho comprovação disso, mas existem fortes indícios de que seja verdade, porque a maior parte da população se desloca mesmo com esse veículo, seja porque podem ter mais autonomia (os horários de ônibus e vans são muito espaçados), seja porque podem reduzir custos de maneira espetacular. A média mais baixa de um trabalhador em termos de gastos com transporte, num mês, é de R$ 134,40, o que equivale a dizer que, em dois meses, ele paga uma boa bicicleta que não dará problemas durante pelo menos um ano de uso. Uma família de quatro pessoas, por exemplo, onde os pais trabalham fora e os filhos estudam, gasta minimamente R$ 537,60 por mês, ou o equivalente a prestação de um carro popular comprado na agência. Isso explica o forte crescimento da frota de automóveis na cidade, principalmente quando o governo reduz o IPI e com isso viabiliza a compra desse bem, que no interior é essencial.
   Portanto, seguindo aquela lógica de que no interior você tem mais qualidade de vida, incorpore o fato de que, uma das coisas para isso, é a disponibilidade de um veículo. Caso contrário, sua vida será limitada por horários, fatores climáticos, estado de saúde, humor dos prestadores de serviços e tudo o mais que possa tirar sua autonomia, decorrente da ação de terceiros.






segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Vivendo no Interior - Parte I

Estacionar nos grandes centros está cada vez mais difícil
Falei anteriormente que existem “vários” interiores. Cidades com mais de 300 mil habitantes já começam a ter padrões de comportamento e problemas estruturais equivalentes aos das grandes metrópoles, mas ainda guardam aquilo que se poderia classificar como hábitos interioranos. Cidades com mais de 500 mil habitantes, perderam isso em algum momento, ficando mais com os problemas do que com os hábitos, mas ainda assim podem ser bem agradáveis para viver.

Lendo os jornais, fico sabendo que é cada vez maior a quantidade de pessoas que, em São Paulo, vão deixando a capital e mudando para o interior, em virtude da melhora da qualidade de vida para a família, ainda que os que trabalham mantenham seus empregos na capital. Isso é um dilema antigo de muitos, mas uma decisão que se mostra cada vez mais acertada para muitos. Cidades como Atibaia (SP), que fica a 66 km de São Paulo - um trajeto de aproximadamente 56 minutos ou Jundiaí (SP), distante mais ou menos 60 km pela Rodovia dos Bandeirantes, passam por um surto de crescimento contínuo frente a chegada de mais e mais famílias que fazem essa opção.
Mas, ao mesmo tempo que a preocupação com a segurança e qualidade de vida da família é o principal motor para essas mudanças, seus membros podem ser elementos complicadores, como no caso de filhos adolescentes que, em virtude de seu círculo social, não se adaptam ao novo modelo de vida. Em outros casos, opções por universidades mais afamadas também faz com que muitos não queiram deixar os grandes centros, complicando a estrutura do projeto, na medida em que efetivamente passam a ser dois os locais de morada, dividindo assim a família e onerando o caixa.
De toda forma, se você não tem maiores problemas - ou por ter filhos já encaminhados ou por serem os mesmos ainda muito novos para decidirem qualquer coisa a esse respeito - estar em uma cidade do interior é algo bastante vantajoso.
Tendo em conta, por exemplo, que a quantidade de carros quase dobrou no Brasil nos úlitmos dez anos, passando de 21 milhões para quase 39 milhões de veículos, sendo a maior concentração dos mesmos nos grandes centros, já se pode ter uma idéia de como a coisa é complicada não só para circular, mas principalmente para estacionar um carro numa grande cidade. E mesmo quando você tem que pagar estacionamento, numa cidade do interior o valor médio é de R$ 3,00 para a primeira hora, e R$ 1,00 pelas horas seguintes. Já numa cidade como São Paulo, pela escassez, esse serviço pode alcançar algo como R$ 900,00 por mês para um motorista que use o carro para trabalhar, o que impacta em qualquer orçamento de maneira cruel.
Bem, imaginando que os 1,8 milhões de veículos - frota legal da cidade do Rio de Janeiro - resolvessem ir à rua ao mesmo tempo, a situação já seria caótica. Mas imagine esse contingente de motoristas tentando achar uma vaga entre as 45 mil legalmente existentes na cidade. Trágico. A relação é de 40 carros para uma vaga, quase um vestibular para Medicina em alguma conceituada universidade pública. E conseguir estacionar é algo que deve ser comemorado como entrar para a faculdade, nessas circunstâncias!
Bem, esse é um dos aspectos que achei interessante relatar, frente as informações que fui recebendo durante o final de semana. Mas vamos falar dos dois aspectos: o bom e o ruim. Tudo para você poder entender essa dinâmica pela ótica de quem já está aqui mas veio de lá.