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segunda-feira, 2 de abril de 2012

O arroz preto, branco e vermelho do Vale

   Como prometi ontem, vou falar hoje do meu programa de final de semana, que foi ótimo. Estive neste domingo na III Abertura Oficial da Colheita do Arroz no Vale do Paraíba, evento que aconteceu no bairro Colônia do Piagui, em Guaratinguetá (SP). Embora o evento tenha ocorrido em três dias consecutivos, o domingo teve um caráter especial por ser o momento da gastronomia, que aconteceu no Salão de Festas da Igreja de São João Batista, naquele bairro.
   Programação intensa desde as 09h00, com procissão com imagens carregadas em carro de boi, missa campal, benção de máquinas agrícolas (moderníssimas e quase todas dirigidas por mulheres), banda do Exército de Lorena, enfim, tudo que uma festa do interior tem que ter, e mais um pouco.
Prato bem servido a R$ 12,00 - arroz com carne seca e acompanhamentos
   Ao meio dia, começou o festival gastronômico com a abertura das barracas que serviram arroz com tudo o que você possa imaginar. Costelinha de porco, vaca atolada, carne seca, mandioca frita, linguiça calabreza...uma beleza.  Momento muito especial para aproveitar com a família e principalmente para conhecer uma faceta do Vale do Paraíba que é bem desconhecida, qual seja a da cultura do arroz. Empresas da região e produtores rurais tem investido pesado nessa prática, desenvolvendo variedades interessantes e que estão caindo no gosto de muita gente, como o arroz preto e o arroz vermelho - que atingem altos preços nas grandes metrópoles, recomendados por muitos chefs.
Pote de Arroz Preto Ruzene vendido no festival gastronômico
   Domingo agradável e cheio de encontros com pessoas que de outra forma a gente não vê, na pressa do dia a dia. Valeu a pena o passeio.

Festival lotado ao meio dia. Foi a grande opção para o almoço de domingo.
Muito artesanato também a mostra, tudo feito na Colônia do Piagui
Arroz de todo tipo na feira da festa. Vale a pena conhecer as variedades



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Carnaval no Interior: São Luiz do Paraitinga



Os turistas estão prestes a chegar e a cidadezinha, de 10 mil habitantes, se prepara para ver a população quintuplicar. Com alegria e apreensão, São Luiz do Paraitinga aguarda o retorno do Carnaval.


Sede de festas tradicionalmente concorridas, a cidade, à beira do rio Paraitinga, no Vale do Paraíba, viu seu centro histórico literalmente ir por água abaixo. A tragédia, ocorrida em janeiro de 2010, enterrou a folia naquele ano.
Já em 2011, o Carnaval voltou a ser realizado. Para lá foram 75 mil turistas, isso ao longo dos cinco dias do evento. A festa, porém, aconteceu fora do centro histórico.
No próximo dia 17, parte da folia volta ao cenário original. Os blocos tradicionais, como Barbosa e Juca Teles, vão pular, com suas bandas e bonecos gigantes, na praça Oswaldo Cruz e imediações.
Outros eventos simultâneos acontecerão em outros pontos da cidade, na tentativa de levar os turistas mais agitados para fora do centro.
A ideia de descentralizar a festa almeja, acima de tudo, preservar as áreas sensíveis da cidade. Há edifícios que ainda estão em condições estruturais precárias, sustentados por vigas de madeira.
Se São Luiz do Paraitinga deseja, por um lado, mostrar que se recuperou da tragédia, por outro, não quer repetir carnavais como o de 2009, cuja lembrança ainda causa apreensão nos moradores.
"Uma cidade com boa infraestrutura turística tem capacidade para, no máximo, dobrar sua população na alta temporada. Em 2009, porém, recebemos 180 mil turistas [ao longo dos cinco dias], provavelmente seis vezes o número de habitantes simultaneamente", relata o empresário Henrique Guerra.
As recordações daquele ano envolvem lixo nas ruas, falta de energia e filas nos mercados.
Uma das medidas que São Luiz do Paraitinga tomará para evitar a superlotação é o desvio do tráfego. Quando as 5.000 vagas de estacionamento ou zona azul forem preenchidas, as estradas serão fechadas, e veículos não terão como entrar na cidade.

APENAS MARCHINHAS

A preocupação dos habitantes vai além do patrimônio material: nos dias de folia, é proibido ligar aparelhos de som em locais públicos. Nada de axé ou sertanejo, portanto. Só as marchinhas (e apenas as compostas em São Luiz do Paraitinga!) são permitidas no Carnaval.
Um folheto distribuído aos foliões todos os anos, explicando as regras do evento, também expõe a proibição de sprays, garrafas e copos de vidro, e pede que não se urine nas fachadas das casas. Churrasqueiras nas calçadas são passíveis de apreensão.
Cada bloco sugere um tema para a fantasia a ser usada -o bloco do Barbosa, por exemplo, sai vestido de motorista de ônibus. O bloco Encuca a Cuca, quando existia, só permitia a entrada de mascarados vestidos de cores escuras. Seus bonecos eram monstros, e as marchinhas falavam sobre terror. Hoje, o bloco não sai mais: há o receio de que turistas, aproveitando o anonimato, atentem contra a integridade dos foliões.

Folha de São Paulo
Caderno Turismo
09 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Gravidez, Futebol e Invasão

Fatos geradores de notícias na mídia nacional

  A grande mídia tem suas motivações para publicar matérias, e geralmente procuram aquilo que parece estar no gosto popular, como tragédias, futebol, situações bizarras e conflitos. Vá você saber o que pode ser mais mobilizador de audiência!
   Mas fico atento as coisas que vejo na mídia nacional referentes a região onde moro, e invariavelmente são as mesmas. Tenho insistido em vários contatos com prefeitos sobre a necessidade de criação de temas para as cidades, mas parece que isso está acima das perspectivas locais, por diversos motivos. Entretanto, o fato é que tendo um tema, tudo fica mais fácil em termos de divulgação da região ou da cidade. Veja o caso de Campinas (SP), conhecida internacionalmente pela concentração profissionais e clínicas da área de oftalmologia. Ou Barretos, que além de conseguir projeção com seu rodeio (Barretão), também conta com uma excelente divulgação por conta do Hospital do Câncer que é mantido naquela cidade e é referência nacional. Sem falar em Caruaru, Capital do Forró e Arraial do Cabo, Capital do Mergulho.
   Recentemente (ano passado), Taubaté (SP) foi elevada a condição de Capital Nacional da Literatura Infantil, em homenagem a Monteiro Lobato e sua obra, e está projetando para esse ano a segunda edição da FLIT (Feira Internacional da Literatura Infantil), compondo com Paraty - com a sua FLIP - uma moldura formidável na área cultural.
   Mas o fato é que para a grande imprensa, alguns assuntos são hoje extremamente importantes, superando tudo o mais que possa vir a acontecer por aqui. Falo de três casos em particular, que vem obtendo grande projeção e ocupando espaço nos veículos impressos, radiofônicos, televisivos e na internet. O primeiro deles é o caso da desocupação do Pinheirinho, área ocupada por longos anos e que a Justiça resolveu agora, mesmo que com divergências na esfera estadual e federal, dar reintegração de posse. Terreno de mais de um milhão de metros quadrados ocupado por 6,5 mil pessoas (praticamente o tamanho de muitos municípios da região e, em alguns casos, com uma população duas vezes maior), localizado em São José dos Campos e parte do acervo da Selectra, empresa do especulador Naji Nahas, que faliu. Depois de muita discussão, 2.000 policiais militares invadiram a área no domingo as 06h00 e desocuparam a área. E todas as consequências sociais estão em andamento agora. Vamos ver como será o final disso.
   O outro caso é o da "grávida de Taubaté", uma pedagoga de nome Maria Verônica Aparecida César Santos, de 25 anos, dona de uma escola, que recentemente apresentou-se como futura mãe de quadrigêmeos. Sua barriga era descomunal, mas sua desenvoltura chamou a atenção e indo a fundo na questão... constatou-se de que não era gravidez, mas sim uma barriga de silicone acrescida de panos que davam um volume descomunal. Desmascarada pelo médico que a atendeu no ano passado e constatou que não havia gravidez, através de uma ultrassonografia, a pedagoga sumiu. Seu advogado veio a público para reiterar a farsa e pedir clemência ao público. No entanto, a grande pergunta que está sendo feita insistentemente é "por que ela inventou essa história"? E várias outras estão no ar, como por exemplo o fato de o marido dela não saber da farsa, entre outras. É aguardar para saber.
   Finalmente, uma das coisas que ficou bastante evidenciada foi a importância que um time de futebol tem para uma cidade, principalmente quando alcança um nível  técnico que permite sua projeção. No ano passado, o Guaratinguetá F.C., time-empresa, procurando por melhores condições de parceria com patrocinadores e apoiadores, resolveu sair da cidade e mudou-se para Americana (SP), onde não deu certo. Várias razões levaram a isso, entre elas o fato de que, não tendo sua origem na cidade, não havia qualquer ligação afetiva com a torcida, que curiosamente continuou preferindo torcer por um time local, menos importante, mas com ligações históricas com a cidade. Depois de alguma articulação, o Guaratinguetá voltou para a cidade de origem. O que observei foi que a mídia, que falava da cidade frequentemente, parou completamente de citá-la durante a ausência do time e imediatamente passou a falar novamente com seu retorno. Para todos os efeitos e em todos os sentidos, manter um time relevante é fundamental para garantir essa presença. E eu nunca tinha imaginado o quão importante era isso...
   Enfim, o fato é que a região está cheia de novidades nessa segunda feira e certamente vai ficar na mídia um bom tempo por conta disso.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Política no interior

Política no interior: os subterrâneos das negociações preliminares

   Amigos, política no interior não é coisa para amador nem para cardíaco. Política nos grandes centros é uma coisa meio distante, ou seja, você pode passar todo o período eleitoral sem ter contato com nenhuma negociação, nenhuma pressão de voto e ter seu sossego perturbado principalmente pelo horário eleitoral gratuito. No interior, não é bem assim. Se todo brasileiro é meio técnico de futebol, no interior todo munícipe tem uma idéia "clara" de quem vai ganhar, quem vai perder, quem fez besteira, quem não devia ter se candidatado, etc.
   Todo mundo tem uma opinião mais ou menos abalizada. E o pior que você pode fazer é escutar todo mundo, porque fatalmente fica sem opinião nenhuma. Existem figuras folclóricas aqui, em Guaratinguetá, como devem existir em muitas outras cidades. Um professor aposentado, frequentador da Praça Rodrigues Alves - centro de discussões políticas da cidade - durante muitos anos mantinha uma lista de candidatos que funcionava como elemento importante para a decisão de voto de muita gente. Não sei se esse ano estará ativo, porque soube que esteve doente. Mas se estiver ativo, vai manter a lista que, curiosamente, sempre deu certo. Ninguém sabe a metodologia dele, mas que é pitoresco é.
   O Vale do Paraíba está vivendo um momento muito particular esse ano, por ter se tornado Região Metropolitana. Muita coisa vai ser alterada, novas estruturas estão surgindo, fatores novos vão se tornar atrativos para a região e no momento tudo está meio em suspenso. No entanto, a movimentação política já é perceptível e embora as campanhas só se iniciem lá para julho, o caldeirão está em ebulição.
   Vamos falar mais a respeito nos próximos posts, na medida em que os movimentos se tornem mais evidentes, porque acompanhar essa novela vai render fortes emoções.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Natal chegou no interior também



   Houve um tempo em que tudo demorava para chegar no Brasil e mais ainda para chegar no interior, mas num mundo interconectado, globalizado e a velocidade da internet, chega tudo rápido e às vezes até antes do necessário. Nesse frenesi de antecipação das vendas, tentando conquistar o consumidor, as coisas ficam realmente fora de controle. Mas é apenas sinal dos tempos e vamos nos acostumando.
   Nesse final de semana, fui a Guarulhos - atendendo a obrigações acadêmicas de minha mulher -  e no retorno resolvi jantar em São José dos Campos com a família. E o que a gente vê nos shoppings já é aquele clima que normalmente se instaura em meados de dezembro, acontecendo em início de novembro. Casa de Papai Noel e o próprio atendendo as crianças, com suas listinhas de presentes, além de uma horda de assistentes de Papai Noel, show de Natal, árvores de todos os tipos e tudo o que faz a festa aos olhos e ao coração.
   Enfim, temos que nos acomodar a esse ritmo alucinante, porque não há o que fazer. Ninguém freia o mercado, principalmente quando as perspectivas são boas em termos de vendas, como sinalizam os indicadores. Só não esperava tanta badalação tão cedo, e ainda mais no interior, mas como já vimos ... interior é outra coisa hoje em dia. Para o bem ou para o mal.
   De qualquer forma, o que se nota é que não há mais aquela distinção entre os grandes centros e as cidades populosas do interior em termos de gastos com decoração, contratação de artistas, shows pontuais e tudo o mais que a gente vê em grandes capitais.
   Estou procurando por aqui, no Cone Leste Paulista, as representações de Natal locais, na sua essência. Quem sabe aparece um Saci Noel ou uma Cuca Noel. Até agora, não achei nada a respeito, mas continuo procurando. Sei que tem coisas interessantes a respeito, e vou localizar. Por enquanto, ficam as fotos da decoração de Natal do CenterVale Shopping, em São José dos Campos.



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Vivendo no Interior - Parte I

Estacionar nos grandes centros está cada vez mais difícil
Falei anteriormente que existem “vários” interiores. Cidades com mais de 300 mil habitantes já começam a ter padrões de comportamento e problemas estruturais equivalentes aos das grandes metrópoles, mas ainda guardam aquilo que se poderia classificar como hábitos interioranos. Cidades com mais de 500 mil habitantes, perderam isso em algum momento, ficando mais com os problemas do que com os hábitos, mas ainda assim podem ser bem agradáveis para viver.

Lendo os jornais, fico sabendo que é cada vez maior a quantidade de pessoas que, em São Paulo, vão deixando a capital e mudando para o interior, em virtude da melhora da qualidade de vida para a família, ainda que os que trabalham mantenham seus empregos na capital. Isso é um dilema antigo de muitos, mas uma decisão que se mostra cada vez mais acertada para muitos. Cidades como Atibaia (SP), que fica a 66 km de São Paulo - um trajeto de aproximadamente 56 minutos ou Jundiaí (SP), distante mais ou menos 60 km pela Rodovia dos Bandeirantes, passam por um surto de crescimento contínuo frente a chegada de mais e mais famílias que fazem essa opção.
Mas, ao mesmo tempo que a preocupação com a segurança e qualidade de vida da família é o principal motor para essas mudanças, seus membros podem ser elementos complicadores, como no caso de filhos adolescentes que, em virtude de seu círculo social, não se adaptam ao novo modelo de vida. Em outros casos, opções por universidades mais afamadas também faz com que muitos não queiram deixar os grandes centros, complicando a estrutura do projeto, na medida em que efetivamente passam a ser dois os locais de morada, dividindo assim a família e onerando o caixa.
De toda forma, se você não tem maiores problemas - ou por ter filhos já encaminhados ou por serem os mesmos ainda muito novos para decidirem qualquer coisa a esse respeito - estar em uma cidade do interior é algo bastante vantajoso.
Tendo em conta, por exemplo, que a quantidade de carros quase dobrou no Brasil nos úlitmos dez anos, passando de 21 milhões para quase 39 milhões de veículos, sendo a maior concentração dos mesmos nos grandes centros, já se pode ter uma idéia de como a coisa é complicada não só para circular, mas principalmente para estacionar um carro numa grande cidade. E mesmo quando você tem que pagar estacionamento, numa cidade do interior o valor médio é de R$ 3,00 para a primeira hora, e R$ 1,00 pelas horas seguintes. Já numa cidade como São Paulo, pela escassez, esse serviço pode alcançar algo como R$ 900,00 por mês para um motorista que use o carro para trabalhar, o que impacta em qualquer orçamento de maneira cruel.
Bem, imaginando que os 1,8 milhões de veículos - frota legal da cidade do Rio de Janeiro - resolvessem ir à rua ao mesmo tempo, a situação já seria caótica. Mas imagine esse contingente de motoristas tentando achar uma vaga entre as 45 mil legalmente existentes na cidade. Trágico. A relação é de 40 carros para uma vaga, quase um vestibular para Medicina em alguma conceituada universidade pública. E conseguir estacionar é algo que deve ser comemorado como entrar para a faculdade, nessas circunstâncias!
Bem, esse é um dos aspectos que achei interessante relatar, frente as informações que fui recebendo durante o final de semana. Mas vamos falar dos dois aspectos: o bom e o ruim. Tudo para você poder entender essa dinâmica pela ótica de quem já está aqui mas veio de lá.

domingo, 7 de agosto de 2011

Ópera no Interior

   Morar no interior não é ficar isolado da Cultura. Claro que a pujança de espetáculos é infinitamente inferior a oferecida nos grandes centros, mas de vez em quando somos brindados por aqui com algumas peças, inclusive excelentes espetáculos como essa de "Carmen".
   Aconteceu no sábado e foi um tremendo sucesso. Mas numa cidade como Guaratinguetá, distante apenas 180 km da cidade de São Paulo, as coisas ficam bem fáceis quando se quer assistir qualquer lançamento. Duas horas de viagem de ida e outras tantas de volta, e você ainda pode jantar em um bom restaurante paulistano.
   E isso é uma tranquilidade frente a vantagem de se ter teatros por perto mas também tantos problemas que são apresentados para quem mora na capital.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Seminário Internacional de Tropeirismo


      Voltando ao tropeirismo, depois de navegar  pelo futuro, fui informado de um evento que me surpreendeu na medida em que a gente acha que nada acontece na área de preservação dos valores históricos. O Tropeirismo é assunto de um seminário internacional que vai acontecer entre os dias 18 e 20 de agosto de 2011, em Ipoema, Distrito de Itabira (MG).
   O Seminário Internacional de Tropeirismo - Tropeiro Brasil, na parte técnica e cultural terá três dias de duração:

  • Dias 18/08 a 20/08 (manhã) - parte técnica: palestras, painéis, debates e cursos;
  • Dia 20/08 (tarde/noite) - parte cultural: visita ao Museu e a alguns atrativos do município e presença dos palestrantes e convidados na festa “Roda de Viola sob as Bênçãos da Lua Cheia”, realizada a noite, junto ao Museu do Tropeiro de Ipoema.
   Certamente é um grade evento que pode e deve ser prestigiado por todos os que tenham oportunidade de participar. Estou estudando a minha ida com amigos aqui do Vale do Paraíba.

Para maiores informações entre em contato:
Carlos Roberto Solera
CONSULTOR RESPONSÁVEL- NATA
carlos_solera@hotmail.com
(41) 3243-0908 ou 9226 5170 
Rua Petit Carneiro, 632 / 51
Curitiba-PR - 80240-050


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mercado Municipal - o nascimento do abastecimento no Brasil

   Hoje, quando a gente vai a um supermercado para as compras, não tem idéia de como começou a história da concentração de fornecedores para atender a população das cidades, principalmente nos primórdios do Brasil. Lendo novamente o livro "História da Vida Privada no Brasil", volume 1, emprestado pela Beta recentemente, que trata do "cotidiano e vida privada na América Portuguesa", deparei-me logo no início com a abertura de um dos capítulos iniciais que falava o seguinte:

   "Notava as coisas e via que mandava comprar um frangão, quatro ovos e um peixe para comer, e nada lhe traziam, porque não se achava na praça, nem no açougue, e, se mandava pedir as ditas coisas e outras mais às casas particulares, lhas mandavam. Então disse o bispo: verdadeiramente que nesta terra andam as coisas trocadas, porque toda ela não é república, sendo-o cada casa" - Frei Vicente do Salvador, História do Brasil (1500 - 1627) 

   Demorou para que as coisas se organizassem de tal maneira que as pessoas pudessem ir a um local só para abastecer suas casas com alimentos frescos e produtos de qualidade. Mas as coisas tomaram esse rumo e os mercados municipais são a prova viva dessa concepção mercantil. Existem por todo o Brasil e no Vale do Paraíba as coisas assumiram proporções maiores dimensões como em Guaratinguetá, por exemplo, que foi um enclave comercial  entre São Paulo, Sul de Minas, Paraty e seu porto e a cidade do Rio de Janeiro, onde a estrutura mercantil assumiu forte presença. O abastecimento da cidade era garantido por tropas cargueiras que cruzavam esses caminhos e proporcionavam todo tipo de produto aos habitantes da região.
   Hoje, o Mercado Municipal de Guaratinguetá é uma amostra da fartura do passado, mas ainda importante centro de abastecimento. Diferente dos grandes supermercados, e por isso mesmo pitoresco e interessante. Temático, por assim dizer.
   A beleza, fartura, diversidade e qualidade dos produtos enchem os olhos e dão água na boca. Um dos programas mais interessantes no centro da cidade, em dias quentes ou frios, é entrar no mercado para experimentar um tira-gosto de torresmo, ou comprar doces e frutas cristalizadas. Aos sábados, é o ponto de encontro mais frequentado. Quer encontrar alguém interessante ou importante, vá ao mercado municipal de manhã cedo. Estão todos lá, comprando em fornecedores com quem convivem a mais de quarenta ou cinquenta anos.
   O filme que coloco abaixo foi feito ainda dentro do projeto de tv institucional do SINHORES Aparecida e Vale Histórico, e teve minha participação ativa na organização e direção. O chefe de cozinha estava muito nervoso no dia e por isso gaguejou um bocado, mas explica bem a importância do mercado municipal de Guaratinguetá. Mais adiante, vou mostrar outros mercados da região, que é rica em edifícios históricos desse tipo, mas aproveitem agora esse.



sábado, 2 de julho de 2011

Onde se chega...

 


   É curioso falar disso, mas importantíssimo, já que estamos falando em "viver no interior", mas o pecado original de quem chega é o olhar sobre onde chegou. Dificílima a avaliação até porque não sabemos o que vamos avaliar nem sequer para que avaliar, tendo em conta que estamos vindo de um grande centro, que em princípio, congrega tudo o que há de valor nas relações humanas - tanto para o bem quanto para o mal.
   Lembro-me quando vim para o Vale do Paraíba há dez anos atrás, para um trabalho de consultoria, chegando com a carga de estresse natural de quem está fazendo duzentas coisas ao mesmo tempo, com preocupações diversas e sem capacidade de perceber nuances sutis. Tudo o que eu fazia era atuar, formando relacionamentos sem grande interesse direto. Vim várias vezes a Guaratinguetá, e em nenhuma delas apreciei o que realmente havia aqui.  Focado no trabalho, com o tempo contado e sem nenhum vínculo emocional maior, entrava e saia da cidade como o faria de qualquer outra cidade do mundo.
   Com o passar do tempo, apenas algumas coisas se tornavam evidentes, mas certamente não as positivas, porque as falhas afloram sempre de maneira muito mais intensa do que as qualidades (salvo quando essas são temáticas ou abrangem alguma coisa do espectro de valor do observador). Notei que era uma cidade limpa, sim. E que havia uma sensação de segurança bem evidente. Notei que a infraestrutura, em 1999/2000 era precária. Sinalização das ruas bastante falha, inclusive para indicar o caminho para a Via Dutra, ponto de referência maior para quem vive ao lado dessa enorme avenida, que liga os dois grandes pólos propulsores do país. Ficou claro que o sistema de transporte era bastante ruim - embora melhor do que em outras cidades - e que o uso da bicicleta era bastante disseminado, embora só houvesse uma ciclovia, em cima de uma ponte, com não mais de 30 metros de extensão... o que provavelmente a tornava na menor ciclovia do mundo.
   Fui vítima de um hábito danado naquela época, da parte dos restaurantes. Embora com indústrias de porte e uma população que já superava os 100 mil habitantes, comer fora da hora do almoço era uma verdadeira maratona. Por força do trabalho, em várias ocasiões entrei por essa sacrossanta hora em reuniões que se estendiam até as 14h00. Saindo da reunião, a idéia de ir a um restaurante soava totalmente razoável, mas isso esbarrava num costume local que fechava todos eles depois do "horário de almoço", porque não haviam clientes. Ou os tradicionais clientes já tinham almoçado, ou um enorme número de pessoas tinha ido almoçar em casa e estaria voltando ao seu local de trabalho naquele horário. Isso era particularmente irritante, porque a alternativa era sair da cidade e ir até uma churrascaria de beira de estrada entre Guaratinguetá e Lorena para fazer uma refeição decente. Ou então ir até uma pastelaria para tentar substituir o arroz com feijão por alguns pastéis enormes mas muito saborosos que até hoje existem por aqui.
   Ora, tudo isso não passava de reclamação de visitante e por algum tempo, não tive esperança de ver as coisas mudarem, mas mudaram. Para muito melhor. No entanto, naquela época, fiquei muito centrado nessas circunstâncias que me atingiam diretamente, até porque só me atingiam por aqui. Em qualquer um dos muitos lugares onde estaria ao sair de Guaratinguetá, nada disso aconteceria. Perdi um bom tempo sem atentar às boas coisas locais, e por isso recomendo enfaticamente que você, ao ir para uma cidade do interior com o objetivo de conhece-la realmente, faça uso de todos os seus canais de percepção para entender a dinâmica da mesma, e não só usar seus filtros para fazer diagnóstico de realidade. Isso vai ajuda-lo tremendamente a não fazer juízo de valor errado, que certamente o levará a decisões equivocadas.
   Mas vamos adiante nessa jornada de ingresso na "atmosfera local" de uma cidade do interior, com todo o espectro de possibilidades que se apresentam a quem chega.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Dia mais frio do ano no Vale do Paraíba


   E fez frio essa noite aqui na Serra. Em Campos do Jordão, -4 o.C, com direito a geada e  tudo o mais. Isso não é incomum, mas tem sido mais frequente, seja lá o motivo que for. Mas fica tudo muito bonito, gelado e branco. Fiz essa pausa porque hoje foi o dia mais frio do ano até o momento. Vamos continuar com a jornada pelo interior.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Chegando...



 
    E aí, um belo dia, você vem viver numa cidade do interior. Para cada um, vai ser uma experiência diferente, é claro, mas vamos falar aqui de algumas coisas que são gerais, mais ou menos comuns a todos.
   No meu caso, viajante de muitas milhas, achei que conseguiria entender a dinâmica social de uma vez só, e aí está um engano para quem chega. A estrutura e a dinâmica social de uma cidade do interior é tão mais complexa quanto menor ela é. E o que é mais complicado: você não vê mesmo! Com o passar do tempo, vão se descortinando os entrelaçamentos, as redes, as relações … mas não caia na esparrela que eu cai: espere muito antes de ter uma idéia mais certa de onde você está pisando.
   Pode parecer um conselho sem pé nem cabeça, mas se você não tiver uma idéia das relações, vai dar cabeçadas desnecessárias, perder amigos e deixar de fazer amizades. E isso é muito ruim quando você está entrando em um mundo onde a rede de relacionamentos dita a vida de uma maneira desconhecida para quem vem de uma cidade grande. Para quem está acostumado a morar em um edifício, onde praticamente ninguém conversa sequer com o vizinho do andar, morar em um lugar onde praticamente tudo se sabe a respeito de tudo e de todos pode ser um problema no início.
   Então, começamos do começo, ou seja, vamos ver como é a chegada numa cidade do interior não mais como turista mas como parceiro da comunidade local. Não é simples, mas também não é impossível