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terça-feira, 2 de agosto de 2011
As tropas do Café
Como vimos, o tropeiro foi de fundamental importância para o Ciclo do Café, tanto quanto o café foi importante para manter o tropeirismo em funcionamento, com o declínio do Ciclo do Ouro. É pela Serra da Mantiqueira que o tropeiro levava o café para as Minas Gerais, seguindo os muitos caminhos que se abriam. Pela Serra do Mar e da Bocaina, seguia para o litoral fazendo que a riqueza do novo ciclo abastecesse cidades, chegasse aos portos do litoral e pudesse seguir para Portugal. De Cunha para Paraty, de Taubaté a Ubatuba, de São José do Barreiro a Mambucaba, de São José dos Campos para São Sebastião.
As principais rotas usadas para ligar São Paulo e Minas ao Rio de Janeiro eram o caminho velho: Minas Gerais - Guaratinguetá - Paraty, e o caminho novo: Lorena - Fazenda Santa Cruz. As cidades do Vale do Paraíba despontaram. Silveiras, Cunha, São José do Barreiro, Areias, Lagoinha, São Luiz do Paraitinga, Bananal, Lorena, Roseira, Aparecida, Guaratinguetá, Taubaté, Jacareí, Queluz.
O tropeiro, velho conhecedor dos caminhos e escolado nas trilhas das serras fazia escoar a nova produção econômica do País - o café. Mas não só isso: levava-se também batata, trazia-se madeira, suínos, bovinos, feijão, milho, sal, arroz ...
Levavam sua cultura por onde quer que passassem; aprendiam e ensinavam. Geravam riquezas, difundiam hábitos e costumes. Faziam florescer cidades a partir de ranchos de tropas.
Os caminhos estavam abertos pelo ciclo do ouro, as tropas experientes e os escravos, à disposição. A cafeicultura expandiu-se, no princípio como arbustos medicinais e, pouco tempo depois, como a maior fonte de riquezas da região; "o maior fenômeno agrícola do século". Avançou pelo Vale do Paraíba, atingindo em meados do século XIX a província de São Paulo.
Surgiram os Barões do Café e com eles grandes transformações na sociedade. As casas residenciais saíram das fazendas para as cidades. Aprimorou-se a decoração - cópia da francesa; vieram os teatros, os saraus, as requintadas festas. Mudaram-se os costumes, refinou-se a educação.
Vai daí ...
(extraído do livro " Viagens dos Tropeiros Entre Serras", de Ocílio Ferraz, Editora Antonio Bellini)
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