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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Vivendo no Interior - Parte I

Estacionar nos grandes centros está cada vez mais difícil
Falei anteriormente que existem “vários” interiores. Cidades com mais de 300 mil habitantes já começam a ter padrões de comportamento e problemas estruturais equivalentes aos das grandes metrópoles, mas ainda guardam aquilo que se poderia classificar como hábitos interioranos. Cidades com mais de 500 mil habitantes, perderam isso em algum momento, ficando mais com os problemas do que com os hábitos, mas ainda assim podem ser bem agradáveis para viver.

Lendo os jornais, fico sabendo que é cada vez maior a quantidade de pessoas que, em São Paulo, vão deixando a capital e mudando para o interior, em virtude da melhora da qualidade de vida para a família, ainda que os que trabalham mantenham seus empregos na capital. Isso é um dilema antigo de muitos, mas uma decisão que se mostra cada vez mais acertada para muitos. Cidades como Atibaia (SP), que fica a 66 km de São Paulo - um trajeto de aproximadamente 56 minutos ou Jundiaí (SP), distante mais ou menos 60 km pela Rodovia dos Bandeirantes, passam por um surto de crescimento contínuo frente a chegada de mais e mais famílias que fazem essa opção.
Mas, ao mesmo tempo que a preocupação com a segurança e qualidade de vida da família é o principal motor para essas mudanças, seus membros podem ser elementos complicadores, como no caso de filhos adolescentes que, em virtude de seu círculo social, não se adaptam ao novo modelo de vida. Em outros casos, opções por universidades mais afamadas também faz com que muitos não queiram deixar os grandes centros, complicando a estrutura do projeto, na medida em que efetivamente passam a ser dois os locais de morada, dividindo assim a família e onerando o caixa.
De toda forma, se você não tem maiores problemas - ou por ter filhos já encaminhados ou por serem os mesmos ainda muito novos para decidirem qualquer coisa a esse respeito - estar em uma cidade do interior é algo bastante vantajoso.
Tendo em conta, por exemplo, que a quantidade de carros quase dobrou no Brasil nos úlitmos dez anos, passando de 21 milhões para quase 39 milhões de veículos, sendo a maior concentração dos mesmos nos grandes centros, já se pode ter uma idéia de como a coisa é complicada não só para circular, mas principalmente para estacionar um carro numa grande cidade. E mesmo quando você tem que pagar estacionamento, numa cidade do interior o valor médio é de R$ 3,00 para a primeira hora, e R$ 1,00 pelas horas seguintes. Já numa cidade como São Paulo, pela escassez, esse serviço pode alcançar algo como R$ 900,00 por mês para um motorista que use o carro para trabalhar, o que impacta em qualquer orçamento de maneira cruel.
Bem, imaginando que os 1,8 milhões de veículos - frota legal da cidade do Rio de Janeiro - resolvessem ir à rua ao mesmo tempo, a situação já seria caótica. Mas imagine esse contingente de motoristas tentando achar uma vaga entre as 45 mil legalmente existentes na cidade. Trágico. A relação é de 40 carros para uma vaga, quase um vestibular para Medicina em alguma conceituada universidade pública. E conseguir estacionar é algo que deve ser comemorado como entrar para a faculdade, nessas circunstâncias!
Bem, esse é um dos aspectos que achei interessante relatar, frente as informações que fui recebendo durante o final de semana. Mas vamos falar dos dois aspectos: o bom e o ruim. Tudo para você poder entender essa dinâmica pela ótica de quem já está aqui mas veio de lá.