terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Pirataria em Paraty

É muito comum, para os que vivem no interior, ter uma casa de campo ou praia quando isso é possível. Manter um local para onde se pode escapar nos finais de semana ou nas férias, garantindo o conforto de casa em uma região de veraneio pode ser muito agradável. Aqui no Vale do Paraíba, grande parte das pessoas que podem manter esse padrão escolhem o chamado "Litoral Norte", com praias sensacionais como as de Ubatuba e Caraguatatuba, ou mesmo os prazeres proporcionados por Ilhabela, que dispensa apresentações.

No entanto, coisas estranhas estão acontecendo por lá. No período do verão, férias escolares, alta concentração de pessoas de variado poder aquisitivo, as coisas ficam meio complicadas em termos de segurança. Observo, ao longo do tempo, que medidas cada vez mais concretas estão sendo tomadas, mas nunca é possível evitar as consequências naturais dessa época, com muita bebida, gente ansiosa por se divertir e os oportunistas de plantão que estão sempre presentes nessas ocasiões. Fatos normais, que vão sendo resolvidos. O que chamou a atenção nesse janeiro foi a ocorrência de um ato de pirataria na aprazível Paraty, já do lado do Rio de Janeiro mas vizinha do litoral norte do Estado de São Paulo.

Venho acompanhando os desdobramentos desse fato no GRUPO GUARDIAN, montado para acompanhar as viagens transoceânicas do velejador João Sombra, grande comandante que está na segunda viagem de circunavegação pelo planeta. Atualmente, o Guardian, veleiro clássico e robusto, está na Nova Zelândia passando por uma reforma estrutural para dar continuidade a sua saga. Recebi dele esse texto, para divulgação onde possível, visando manter o assunto em foco tendo em conta que as ocorrências de pirataria estão se somando ao longo do litoral brasileiro. Por estarmos próximos ao local de ocorrência, fica aqui o alerta dado por velejadores que estão preocupados com o assunto que, de alguma forma, afeta a todos nós, amantes do mar.

Peço a quem puder que divulgue esse assunto.
Obrigado e boa leitura
Nelson


ASSALTO E TORTURA EM LANCHA DE RECREIO MARCA AS FÉRIAS DE VERÃO.

Na última sexta feira dia 20 de janeiro, a lancha "PER BACCO", de 18 metros (60 pés) de comprimento, pertencente a um médico paulistano e sediada em Ubatuba, ancorou ao largo da Ilha do Cedro, próxima do povoado costeiro de Tarituba e a pequena distância do centro de Paraty. Era um local abrigado e com poucas outras lanchas fundeadas, e a família dos proprietários do barco (avós, filhos, netos) tencionava passar ali uma noite tranquila em sua excursão de férias de verão.

No correr da tarde, foram abordados por um barco com as cores da Marinha, tendo três elementos fardados procedido a demorada vistoria não só nos documentos da embarcação e de seu timoneiro, mas também nos de todos os tripulantes e passageiros, que tiveram que responder a um verdadeiro inquérito sobre coisas não diretamente relacionadas com a função dos vistoriadores. Igualmente a grande embarcação foi toda percorrida e revistada minuciosamente pelos militares, que finalmente se retiraram.

Tarde daquela noite uma embarcação aproximou-se da lancha silenciosamente, desapercebida, e de súbito irromperam na sua cabine principal três homens encapuzados e armados, ficando pelo menos mais um deles do lado de fora do barco. Renderam todos os tripulantes e passageiros, à exceção do casal de proprietários, muito idosos, que já dormiam em sua cabine. Seu filho e nora imploraram aos assaltantes que não os perturbassem, dizendo que o pai poderia ter um ataque fatal, já que era cardíaco.

Todos os homens, mulheres, crianças a bordo foram obrigados a se despir e depois brutalmente manietados com algemas plásticas. Receberam, sem motivo algum, por simples maldade ou intenção de submetê-los psicologicamente, coronhadas de revolver, socos e pontapés. Divididos em dois grupos, foram torturados separadamente para que contassem onde haveria outros valores além daqueles de que os bandidos já haviam se apossado. No filho do proprietário, também médico, cutucavam a ponta de uma faca no pescoço, e enfiaram em sua cabeça um saco plástico, apertando-o para impedir sua respiração até o ponto do desmaio. Ameaçaram também, várias vezes, jogá-lo n´água assim algemado, bem como seus idosos pais.

Ao fim de uma demorada sessão de tortura e humilhação, os assaltantes soltaram com destreza todos os equipamentos que podiam levar consigo e se retiraram, deixando suas vítimas amarradas no fundo da embarcação. Quando conseguiram se libertar, os proprietários estavam de tal forma traumatizados que quiseram apenas voltar rapidamente a Ubatuba e à capital paulista, onde residem.

Ao gerente da Marina do Engenho, em Paraty, foi pedido que comunicasse o fato à Capitania dos Portos local logo que ela reabrisse na segunda-feira. No entanto, até esta sexta-feira o dono da lancha não havia ainda sido chamado a depor, quer por telefone quer por outros meios, sobre esse assalto com tortura e ameaças de morte, ocorrido a menos de dez milhas da sede do órgão da Marinha.

E de fundamental importância que todos os navegantes e amantes do mar em nosso pais enviem o texto em pauta a todos os seus contatos na internet... sites... blogs e redes sociais...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Gravidez, Futebol e Invasão

Fatos geradores de notícias na mídia nacional

  A grande mídia tem suas motivações para publicar matérias, e geralmente procuram aquilo que parece estar no gosto popular, como tragédias, futebol, situações bizarras e conflitos. Vá você saber o que pode ser mais mobilizador de audiência!
   Mas fico atento as coisas que vejo na mídia nacional referentes a região onde moro, e invariavelmente são as mesmas. Tenho insistido em vários contatos com prefeitos sobre a necessidade de criação de temas para as cidades, mas parece que isso está acima das perspectivas locais, por diversos motivos. Entretanto, o fato é que tendo um tema, tudo fica mais fácil em termos de divulgação da região ou da cidade. Veja o caso de Campinas (SP), conhecida internacionalmente pela concentração profissionais e clínicas da área de oftalmologia. Ou Barretos, que além de conseguir projeção com seu rodeio (Barretão), também conta com uma excelente divulgação por conta do Hospital do Câncer que é mantido naquela cidade e é referência nacional. Sem falar em Caruaru, Capital do Forró e Arraial do Cabo, Capital do Mergulho.
   Recentemente (ano passado), Taubaté (SP) foi elevada a condição de Capital Nacional da Literatura Infantil, em homenagem a Monteiro Lobato e sua obra, e está projetando para esse ano a segunda edição da FLIT (Feira Internacional da Literatura Infantil), compondo com Paraty - com a sua FLIP - uma moldura formidável na área cultural.
   Mas o fato é que para a grande imprensa, alguns assuntos são hoje extremamente importantes, superando tudo o mais que possa vir a acontecer por aqui. Falo de três casos em particular, que vem obtendo grande projeção e ocupando espaço nos veículos impressos, radiofônicos, televisivos e na internet. O primeiro deles é o caso da desocupação do Pinheirinho, área ocupada por longos anos e que a Justiça resolveu agora, mesmo que com divergências na esfera estadual e federal, dar reintegração de posse. Terreno de mais de um milhão de metros quadrados ocupado por 6,5 mil pessoas (praticamente o tamanho de muitos municípios da região e, em alguns casos, com uma população duas vezes maior), localizado em São José dos Campos e parte do acervo da Selectra, empresa do especulador Naji Nahas, que faliu. Depois de muita discussão, 2.000 policiais militares invadiram a área no domingo as 06h00 e desocuparam a área. E todas as consequências sociais estão em andamento agora. Vamos ver como será o final disso.
   O outro caso é o da "grávida de Taubaté", uma pedagoga de nome Maria Verônica Aparecida César Santos, de 25 anos, dona de uma escola, que recentemente apresentou-se como futura mãe de quadrigêmeos. Sua barriga era descomunal, mas sua desenvoltura chamou a atenção e indo a fundo na questão... constatou-se de que não era gravidez, mas sim uma barriga de silicone acrescida de panos que davam um volume descomunal. Desmascarada pelo médico que a atendeu no ano passado e constatou que não havia gravidez, através de uma ultrassonografia, a pedagoga sumiu. Seu advogado veio a público para reiterar a farsa e pedir clemência ao público. No entanto, a grande pergunta que está sendo feita insistentemente é "por que ela inventou essa história"? E várias outras estão no ar, como por exemplo o fato de o marido dela não saber da farsa, entre outras. É aguardar para saber.
   Finalmente, uma das coisas que ficou bastante evidenciada foi a importância que um time de futebol tem para uma cidade, principalmente quando alcança um nível  técnico que permite sua projeção. No ano passado, o Guaratinguetá F.C., time-empresa, procurando por melhores condições de parceria com patrocinadores e apoiadores, resolveu sair da cidade e mudou-se para Americana (SP), onde não deu certo. Várias razões levaram a isso, entre elas o fato de que, não tendo sua origem na cidade, não havia qualquer ligação afetiva com a torcida, que curiosamente continuou preferindo torcer por um time local, menos importante, mas com ligações históricas com a cidade. Depois de alguma articulação, o Guaratinguetá voltou para a cidade de origem. O que observei foi que a mídia, que falava da cidade frequentemente, parou completamente de citá-la durante a ausência do time e imediatamente passou a falar novamente com seu retorno. Para todos os efeitos e em todos os sentidos, manter um time relevante é fundamental para garantir essa presença. E eu nunca tinha imaginado o quão importante era isso...
   Enfim, o fato é que a região está cheia de novidades nessa segunda feira e certamente vai ficar na mídia um bom tempo por conta disso.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Política no interior

Política no interior: os subterrâneos das negociações preliminares

   Amigos, política no interior não é coisa para amador nem para cardíaco. Política nos grandes centros é uma coisa meio distante, ou seja, você pode passar todo o período eleitoral sem ter contato com nenhuma negociação, nenhuma pressão de voto e ter seu sossego perturbado principalmente pelo horário eleitoral gratuito. No interior, não é bem assim. Se todo brasileiro é meio técnico de futebol, no interior todo munícipe tem uma idéia "clara" de quem vai ganhar, quem vai perder, quem fez besteira, quem não devia ter se candidatado, etc.
   Todo mundo tem uma opinião mais ou menos abalizada. E o pior que você pode fazer é escutar todo mundo, porque fatalmente fica sem opinião nenhuma. Existem figuras folclóricas aqui, em Guaratinguetá, como devem existir em muitas outras cidades. Um professor aposentado, frequentador da Praça Rodrigues Alves - centro de discussões políticas da cidade - durante muitos anos mantinha uma lista de candidatos que funcionava como elemento importante para a decisão de voto de muita gente. Não sei se esse ano estará ativo, porque soube que esteve doente. Mas se estiver ativo, vai manter a lista que, curiosamente, sempre deu certo. Ninguém sabe a metodologia dele, mas que é pitoresco é.
   O Vale do Paraíba está vivendo um momento muito particular esse ano, por ter se tornado Região Metropolitana. Muita coisa vai ser alterada, novas estruturas estão surgindo, fatores novos vão se tornar atrativos para a região e no momento tudo está meio em suspenso. No entanto, a movimentação política já é perceptível e embora as campanhas só se iniciem lá para julho, o caldeirão está em ebulição.
   Vamos falar mais a respeito nos próximos posts, na medida em que os movimentos se tornem mais evidentes, porque acompanhar essa novela vai render fortes emoções.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Uma caixa de cachorros

   Sexta feira, por volta das 13h00. Tinha acabado de almoçar em casa, e como faço sempre, dei uma saída para espairecer. Geralmente, faço isso no pequeno jardim, em frente de casa, de onde posso ver a rua. Vi pelo canto dos olhos um movimento inusitado, e foquei na área externa para entender aquilo. Um pequeno cachorro, filhote de um mês no máximo, estava no meio da rua... sózinho! Seguindo um homem que por sua vez olhava para trás e acelerava o passo. Quando olhei embaixo de um pequeno arbusto fronteiro ao muro, vi uma caixa de papelão com alguma coisa se mexendo dentro.
   A primeira reação foi de abrir o portão e ver o que estava acontecendo, e nesse meio tempo o cachorro que estava no meio da rua voltou para a caixa de papelão. Olhando para dentro da mesma, fiquei chateado: haviam abandonado três filhotes na porta da minha casa. Não havia mais ninguém na rua e a primeira providência foi recolher os bichos para evitar uma tragédia maior. Olhando melhor, os três estavam sujos, quase sem reação provavelmente por inanição e com carrapatos andando pelo pelo. Para quem gosta de animais, como eu, isso é uma pancada no peito. Dói ver o estado a que animais podem ser relegados.
   Providência seguinte: não podendo ficar com os animais, comecei a recorrer aos órgãos públicos que poderiam atender numa situação como essa, e descobri que não há essa hipótese. O Departamento de Zoonoses, não recebe filhotes. Segundo o tratador que me atendeu, abriga apenas animais "problemáticos", ou seja, cachorros que estejam atacando pessoas na rua, com indícios de raiva, ou outros problemas denunciados pela população. O Corpo de Bombeiros não tem idéia sobre o que fazer. A Ouvidoria da cidade, atendendo com muita cortesia, disse que não tem a menor idéia quanto ao que fazer. Ninguém sabe nem alternativas para o problema. Cachorros abandonados, de qualquer idade, não existem para o poder público.
   Passei para entidades da sociedade civil, mas também observei que não ia ser possível encontrar alguém que ajudasse. Existe uma ONG que não tem sede, e que trabalha com campanhas de castração de animais, mas não tem abrigo e nem sede. Veterinários, mesmo aqueles que são mais dedicados, também não tem qualquer informação concreta sobre o que fazer. Indicam alternativas em um mercado que está surgindo, ou seja, o de pessoas que se comprometem a deixar o animal para adoção, cobrando uma taxa para vacinar e preparar o bicho para exposição. Uma boa veterinária da cidade me informou que mesmo assim, ficasse atento porque existem pessoas que colocam inclusive anúncio em jornais locais oferecendo esse serviço a R$ 20,00 por animal, sendo que depois que a pessoa vai embora, sacrificam todos, enterram e informam, quando questionados, que foram adotados. Um mergulho nesse mundo revela um problema sério nas cidades do interior - e mesmo nas grandes cidades. É um problema praticamente desconhecido da grande maioria de nós.
   Para resumir a maratona enfrentada, consegui saber que o dono de uma casa de ração onde sempre comprei materiais para minha cadela, que morreu recentemente, faz um tipo de trabalho que me pareceu adequado. Realmente ele analisa os animais, cobra R$ 15,00 por cada um que é deixado para ser oferecido para adoção, lava, vermifuga, vacina contra sinomose e raiva e expõe na frente da loja, em gaiolas próprias. Como os bichinhos que resgatei da rua estavam muito mal, cobrou R$ 20,00 por cada um. E quando o pessoal aqui de casa foi ve-los hoje, para saber se tudo estava bem, encontrou-os bem melhor, mais fortinhos, hidratados e alimentados. Ou seja, tudo bem até aqui. E que assim seja daqui para frente, com o melhor para eles.
   Enfim, uma coisa que a gente não entende como sendo um problema, é algo terrivelmente mal resolvido. Não há uma organização pública ou civil que faça frente a esse assunto. Soube de vários casos de pessoas que se dedicam ao cuidado de animais abandonados, todos passando grandes dificuldades por conta da falta de recursos, de apoio, de interesse ou colaboração de quem quer que seja. Algumas desistem depois de um longo tempo. Outros sucumbem a falta de recursos. Mas no final das contas, embora a gente saiba que existem muitos, como nós, falta articulação. Fiquei muito mobilizado com tudo isso e estou começando a me mexer no sentido de saber mais como ajudar a resolver essa questão. É uma condição vital para mim entender e ajudar. Volto ao assunto em outro post, quando tiver conhecido melhor o assunto.

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