terça-feira, 28 de junho de 2011

Dia mais frio do ano no Vale do Paraíba


   E fez frio essa noite aqui na Serra. Em Campos do Jordão, -4 o.C, com direito a geada e  tudo o mais. Isso não é incomum, mas tem sido mais frequente, seja lá o motivo que for. Mas fica tudo muito bonito, gelado e branco. Fiz essa pausa porque hoje foi o dia mais frio do ano até o momento. Vamos continuar com a jornada pelo interior.

sábado, 25 de junho de 2011

E aqui estamos



 Existe interior e interior. Sabendo que “realidade” é aquilo que a gente consegue ver, individualmetne, para cada um a realidade do interior é diferente, como não poderia deixar de ser. Cada momento de vida dá uma leitura e cada pessoa passa por inúmeros momentos em sua vida. Assim, o olhar é algo que varia com a idade, com a formação, com as experiências de cada um e a coisa atinge um arco de percepções enorme.
   Mas o fato é que existem imagens gerais, conceitos que prevalecem para a maioria e que se tornam parte daquilo que chamamos de “conceito formal”. Coisas como o interior ser menos violento, ou de seus filhos estarem a salvo das drogas. Ou que a vida vai ser mais tranquila e que você vai ter maior privacidade. Enfim, valores que podem ser poderosamente importantes para uma tomada de decisão quanto a mudança de vida.
   No entando, como disse mais acima, existem vários tipos do que podemos chamar de interior. A vida numa cidade com mais de 100 mil habitantes, pode ser considerada interiorana, mas é bem diferente daquela vida possível numa cidade de 30 mil habitantes, e ainda mais de uma com 3 mil habitantes. Esses fatores devem ser considerados quando alguém está pretendendo se distanciar de um grande centro urbano.
   Em princípio, tudo o que não é litoral é “interior”, mas com o incremento da tecnologia da informação, a chegada de conhecimento, cultura, lazer, informação, moda, etc, nivela o tempo de acesso para todos. Isso no entanto não muda certas características de populações que estiveram isoladas, de alguma forma, durante muito tempo. O conjunto sofre alterações, mas as matrizes comportamentais procuram um jeito de permancer ativas.
   Isso posto, vale a pena discutir todas essas questões aplicando valores a regiões, para que tudo possa ficar mais claro para você, que nos lê. E começo falando da região onde estou, que é o chamado Vale do Paraíba, mais precisamente na cidade de Guaratinguetá, Estado de São Paulo. Quem já fez o trajeto Rio x São Paulo, obrigatoriamente pela Rodovia Presidente Dutra, já passou por aqui. É uma região enorme, riquíssima em história, palco de combates, como os que ocorreram em 1930, durante a Revolução Constitucionalista. O ambiente é tradicionalista, religiosidade presente e gastronomia particularmente deliciosa. Mass vamos conhecer melhor isso tudo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Chegando...



 
    E aí, um belo dia, você vem viver numa cidade do interior. Para cada um, vai ser uma experiência diferente, é claro, mas vamos falar aqui de algumas coisas que são gerais, mais ou menos comuns a todos.
   No meu caso, viajante de muitas milhas, achei que conseguiria entender a dinâmica social de uma vez só, e aí está um engano para quem chega. A estrutura e a dinâmica social de uma cidade do interior é tão mais complexa quanto menor ela é. E o que é mais complicado: você não vê mesmo! Com o passar do tempo, vão se descortinando os entrelaçamentos, as redes, as relações … mas não caia na esparrela que eu cai: espere muito antes de ter uma idéia mais certa de onde você está pisando.
   Pode parecer um conselho sem pé nem cabeça, mas se você não tiver uma idéia das relações, vai dar cabeçadas desnecessárias, perder amigos e deixar de fazer amizades. E isso é muito ruim quando você está entrando em um mundo onde a rede de relacionamentos dita a vida de uma maneira desconhecida para quem vem de uma cidade grande. Para quem está acostumado a morar em um edifício, onde praticamente ninguém conversa sequer com o vizinho do andar, morar em um lugar onde praticamente tudo se sabe a respeito de tudo e de todos pode ser um problema no início.
   Então, começamos do começo, ou seja, vamos ver como é a chegada numa cidade do interior não mais como turista mas como parceiro da comunidade local. Não é simples, mas também não é impossível

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O interior do Brasil ou o interior é o Brasil?

   Sou carioca. Nasci no Rio, morei em Niterói (Charitas), mudei para Botafogo e depois para a Barra da Tijuca. No entanto, como alma em permanente busca, mudei para um monte de lugares por esse mundo afora. Morei em Fernando de Noronha, Recife, Curitiba, São Paulo (Capital), Cabo Frio,  ... mas nunca por muito tempo. Em 1999, fazendo uma consultoria, redescobri o Vale do Paraíba, onde moro desde então. Considero "morar" como permanecer no mesmo local por mais de um ano, tendo montado a infraestrutura do que se pode chamar de lar. Menos que isso, a meu ver, é "estar".
   E quem não tem o "sonho" de morar no interior. Fugir dos engarrafamentos, sentir o ar puro, ver de perto as mudanças das estações, falar com os vizinhos, conhecer recantos idílicos, aprender novos costumes, criar os filhos com mais segurança ... enfim... viver plenamente. Mas é assim mesmo?
   Noto que grande parte das pessoas com quem me relaciono pensam nisso como projeto imediato ou futuro, mas dificilmente o colocam em prática. Seja por um motivo ou outro, protelam e ficam onde estão. Hábitos e costumes são difíceis de mudar. Rede de relacionamento é coisa que segura a gente. Só mudam se houver algum acontecimento excepcional, mas quase nunca acontece.
   Uns esperam pela aposentadoria - e isso não dá certo. Outros uma transferência no trabalho, que acontece é uma complicação danada porque a adaptação tem que ser feita de uma maneira forçada, na marra mesmo. Outros que os filhos cresçam e se casem, esquecendo que depois fica muito difícil deixar os netos, os amigos, os médicos de confiança, aquele suporte criado ao longo de uma vida.
   Enfim, mudar para o interior é algo que acontece de repente, por razões não planejadas ou por uma necessidade extrema.
   Essa foi a minha principal motivação. Falar sobre a experiência vivida em muitos "interiores", que ainda não são perfeitamente compreendidos. Vou falar de tudo, mas certamente vou ter um olhar de "consultor" sobre os aspectos que envolvem viver longe de uma capital. Isso porque, ao longo do tempo, a gente tem a consciência de que existem pouquíssimas capitais, com suas Regiões Metropolitanas no entorno e que o resto é Brasil. Um Brasil maravilhoso mas enigmático, com regras próprias, tempos e movimentos personalizados, estigmas, carências, pujanças, crises e oportunidades sem par.
   Vou começando na toada desse Brasil e espero que você, meu caro visitante, goste do que vai ver por aqui.
Um abraço e seja bem vindo!
Nelson